Resumo: o dólar encerrou a sexta-feira em queda pela terceira sessão consecutiva, cotado a R$ 5,01, enquanto o mercado brasileiro mostrava fôlego com menor aversão ao risco. A moeda norte-americana acumulou queda de 2,88% na semana e 3,23% em abril, índice de um movimento que favoreceu o real e sustentou a recuperação do Ibovespa, que atingiu patamares próximos de 197 mil pontos. O cenário local ganhou impulso com dados de inflação que abriram espaço para manter o diferencial de juros interno e externo, além de relatos de entradas de recursos estrangeiros em ativos domésticos.
Na prática, o dólar abriu a sessão com uma mínima próxima de R$ 5,01 e acabou fechando em queda de 1,03%, a R$ 5,0115. Esse desempenho marcou a terceira sessão consecutiva de recuo da moeda nos mercados brasileiros, ainda sob influência do melhor humor global e da percepção de menor risco geopolítico no Oriente Médio, o que ajudou a reduzir a demanda por ativos de refúgio. Mesmo com o recuo, o tipo de cambio segue resiliente, pois a trajetória depende do noticiário externo e das notícias de inflação nos dois países mais importantes para o fluxo de capitais.
O real, por sua vez, se beneficiou do amplo diferencial de juros entre Brasil e exterior, que permaneceria como atrativo para investimentos locais. Dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos contribuíram para a percepção de que o ambiente de juros elevados pode persistir, favorecendo a demanda por ativos de risco quando houver queda de incertezas. Nesse contexto, o mercado interno mostrou resiliência, com o Ibovespa registrando novo máximo e alcançando marcas em torno de 197 mil pontos, sinalizando fluxo de capitais para ações nacionais.
Outro fator citado pelos operadores foi a confirmação de que a inflação ao consumidor, em ambos os lados do Atlântico, permite manter a visão de juros altos por mais tempo, o que sustenta o diferencial de juros e, por consequência, o fluxo de recursos para ativos domésticos. A combinação de inflação sob controle relativo e liquidez elevada gerou condições favoráveis para o câmbio e para o mercado de ações, ajudando o real a se manter entre as moedas mais performáticas entre as divisas líquidas no cenário regional.
Caso os próximos dados de inflação consolidem a leitura de trajetória mais suave, o cenário pode permanecer propício à sustentação do real e do Ibovespa, mantendo o ancoradouro para o investidor que busca rentabilidade em dólar frente a cenários de volatilidade externa. A percepção de que o choque geopolítico externo está contornado ou amenizado pode manter o apetite por risco em níveis mais elevados, fortalecendo ainda mais o câmbio e o mercado de ações no curto prazo.
Para quem acompanha de perto o mercado de câmbio e de ações, o panorama recente aponta para uma combinação de menor aversão ao risco, condições de juros suportadas pela inflação e liquidez, além de entradas de capitais estrangeiros em ativos brasileiros. Será essencial observar os próximos dados de inflação, bem como qualquer sinal de mudança no cenário geopolítico global, para entender se o impulso atual se consolida ou se há reversões.
E você, quais fatores acredita que vão definir a tendência do dólar e do Ibovespa nos próximos meses? Compartilhe sua leitura nos comentários e indique quais dados econômicos devem entrar na sua atenção para os próximos dias.
