Resumo: Em meio a disputas políticas e contestações judiciais, Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj após uma sessão marcada por boicote da oposição. A trajetória envolveu ações no TJRJ e no STF que resultaram na anulação de eleição anterior e na consolidação de uma nova direção, em um momento de busca por estabilidade institucional no Rio de Janeiro.
No discurso de posse, Ruas criticou diretamente o grupo político ligado a Paes, citando nominalmente PDT e PSD, que integravam o bloco que boicotou a eleição. Ele afirmou que tais siglas atuam para gerar instabilidade no estado e acusou a oposição de tentar levar o debate político para o Judiciário, referindo-se a ações apresentadas no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar tanto a eleição para a presidência da Alerj quanto a sucessão do ex-governador Cláudio Castro (PL).
O episódio revelou uma Assembleia dividida. Ao todo, 25 parlamentares não registraram presença nem votaram, houve vaias e um clamor por eleições diretas para o governo do estado. Ruas classificou como desvio de finalidade as ações da oposição e disse que o boicote à sessão desrespeita os eleitores, reafirmando o compromisso com a estabilidade necessária para que o estado tenha um governador eleito.
“Hoje, essa Casa deu uma demonstração, e a história irá contar aqueles que trabalharam para buscar estabilidade institucional e devolver a normalidade para o estado e aqueles que, a todo custo, trabalharam para inviabilizar essa estabilidade”, acrescentou.
Ao encerrar a fala, o líder do PL na Alerj, Filippe Poubel, defendeu que faltas não justificadas sejam punidas com desconto nos salários. Ruas reiterou que adotará as devidas providências.
Nova eleição: em uma sessão esvaziada e boicotada pela oposição, a Alerj realizou a votação para a presidência. Ruas foi eleito com 44 votos, apenas uma abstenção e nenhum voto contrário. O apoio veio principalmente do PL, Republicanos e PP, enquanto as bancadas de União Brasil e MDB divergiram entre si. Do grupo que boicotou a sessão, formado por PSD, PT, PSB, PCdoB e PDT, apenas Jari Oliveira (PSB) registrou voto e se absteve.
Ruas assume o cargo após a cassação de Rodrigo Bacellar, que ocupava a presidência e está preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Bacellar foi secretário do governo Cláudio Castro (PL) e é pré-candidato ao Palácio Guanabara nas eleições de outubro. Ruas já havia sido eleito para o comando da Alerj em março, mas a votação foi anulada pelo TJRJ.
A disputa também passou pela Justiça. O TJRJ rejeitou, em primeira instância, o pedido do PDT para mudar o formato da votação. Já perto da meia-noite, o partido tentou novamente levar o tema ao STF para adiar a eleição desta sexta, mas o pedido não foi analisado a tempo. O episódio evidenciou a fragmentação entre a base governista e a oposição, com setores da oposição buscando atrasar o desfecho até uma definição nacional sobre a sucessão de Castro.
Para analistas, a eleição consolidou uma nova direção na Alerj e sinalizou o esforço de normalizar a governança estadual, mesmo diante de tensões entre o grupo que sustenta Paes e segmentos oposicionistas. O equilíbrio entre as bancadas permanece estreito, e a prova de fogo será a capacidade de Ruas de manter a casa estável e capaz de avançar com a agenda estadual.
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