Preço do petróleo cai mais de 10% após reabertura do Estreito de Ormuz

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Resumo para publicação: O preço do petróleo caiu abaixo de 90 dólares o barril, com quedas superiores a 10%, após o Irã anunciar a abertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo. O Brent ficou em torno de US$ 88,95 e o WTI, US$ 84,28, ambos próximos de mínimas intradiárias desde 11 de março. Analistas destacam que a desescalada diplomática amenizou o risco geopolítico, mas o mercado ainda observa o ritmo de navios que cruzam o estreito e o andamento das negociações entre EUA e Irã.

O que aconteceu. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está aberta durante o restante do período de cessar-fogo. Em reação, os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 10,38 (10,5%), para US$ 88,95 por barril, com mínima de US$ 87,71, enquanto o WTI recuou US$ 10,50 (11%), para US$ 84,28, tendo chegado a US$ 83. Ambos os indicadores atingiram o menor nível desde 11 de março.

Analistas ressaltaram que a notícia indica uma desescalada momentânea enquanto o cessar-fogo estiver em vigor, mas ainda é cedo para confirmar uma normalização no fluxo de petróleo. “Agora precisamos ver se o número de navios-tanque que cruzam o estreito aumenta substancialmente”, avalia Giovanni Staunovo, analista da UBS, destacando a incerteza sobre o ritmo das passagens que envolve o corredor Golfo Pérsico para a Europa.

Antes mesmo da confirmação iraniana, o mercado já reagia com cautela. Houve especulações sobre uma possível retomada de negociações entre EUA e Irã no fim de semana, além de um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, o que alimentou a expectativa de que a região possa caminhar para uma redução de tensões no curto prazo. O tom mais amenizado no front geopolítico ajudou a segurar parte do prêmio de risco que impulsionava o repasse de volatilidade aos preços da energia.

Declarações de Washington. Em meio ao otimismo contido, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o tema está em conversa e que muito possivelmente haverá um acordo com o Irã em breve. “Vamos ver o que acontece. Mas acho que estamos muito perto de fazer um acordo com o Irã”, disse a repórteres, reforçando o clima de aproximação entre as potências. Logo após o anúncio de Ormuz aberto, uma autoridade dos EUA informou à Reuters que, embora o estreito tenha sido liberado, permanece em vigor um bloqueio militar iraniano envolvendo mais de 10 mil pessoas.

Especialistas também apontam que, embora o passo seja significativo, o mercado europeu deve manter o aperto por algum tempo. Ole Hvalbye, da SEB Research, ressalta que são necessários cerca de 21 dias para que navios atravessem do Golfo ao porto de Roterdã, o principal entreposto de petróleo da região. Esse atraso logístico ajuda a explicar a cautela com a demanda e o comportamento de preços, mesmo diante de sinais de distensão.

Impactos e expectativas. Os preços já vinham caindo no início da sessão, com o Brent recuando mais de 10% e o WTI recuando também fortemente diante de novas negociações esperadas entre EUA e Irã e do avanço de um cessar-fogo regional. A leitura de curto prazo é de que o mercado está ajustando o prêmio de risco, mas a vantagem da estabilidade na travessia de Ormuz pode precisar de tempo para se traduzir em quedas mais contidas.

Em resumo, o recuo recente dos preços de petróleo reflete uma combinação de sinais de alívio geopolítico e a expectativa de aumento gradual no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo. No entanto, a volatilidade permanece, e o mercado acompanha de perto o andamento das negociações entre as potências e a verdadeira aceleração da circulação de petróleo pela rota estratégica do Golfo.

Como leitor atento, reflita: diante de um cenário de distensão parcial, você acredita que os preços do petróleo podem manter esse viés de baixa ou é mais provável que voltem a oscilar com base em eventos políticos e logísticos? Compartilhe suas perspectivas nos comentários e participe da conversa sobre o futuro do mercado de energia.

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