Papa reúne 100 mil pessoas em missa na Angola: ‘Olhar para o futuro com esperança’

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Neste resumo inicial: o Papa Leão XIV reuniu cerca de 100 mil fiéis em Kilamba, nos arredores de Luanda, Angola, com um apelo à esperança e à superação das profundas desigualdades do país. Em sua primeira missa no território, ele apontou a exploração de riquezas como causa das catástrofes sociais e pediu justiça e partilha. A visita de 11 dias pela África incluiu críticas diretas à lógica de exploração que alimenta o sofrimento local, ocorrendo pouco depois de fortes críticas feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em um contexto internacional de tensão e promessas de mudança.

A missa campal em Kilamba, celebrada diante de uma multidão que dormiu ao ar livre e vestiu camisas com o rosto do papa ou bandeiras do Vaticano, evidenciou o fervor da visita papal à Angola. O Papa Leão XIV enfatizou que a riqueza está concentrada nas mãos de uma minoria e lembrou que os conflitos que recentes décadas deixaram no país, marcado por guerra, agravaram as desigualdades. Segundo o Vaticano, estavam presentes autoridades locais e milhares de fiéis que acompanharam a celebração desde a madrugada, em clima de esperança.

“NÓS podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, afirmou o líder da Igreja, em tom firme, ressaltando o desafio de transformar promessas em mudanças reais. A mensagem foi recebida como um alerta sobre a necessidade de democracia, redistribuição de riqueza e políticas que favoreçam a juventude, diante de um cenário onde o desemprego é uma questão central para a juventude angolana.

A visita papal em Angola também ganhou contornos humanos, com relatos de fiéis que aguardaram desde a madrugada e dormiram no chão, reforçando a dimensão emocional da cerimônia. O padre angolano Pedro Chingandu reforçou a percepção de que a riqueza permanece concentrada, enquanto Patrícia Musanga, natural de Kinshasa e residente em Luanda, expressou a esperança de uma mensagem de reconciliação nacional e de paz para a juventude. Para Musanga, a mensagem do Papa tem relevância para toda a África, onde os problemas são semelhantes, incluindo a falta de oportunidades.

Antes de seguir para o santuário mariano de Muxima, a cerca de 130 quilômetros da capital, o Papa deve percorrer o trecho de helicóptero, ampliando a importância de um santuário que atrai milhões de fiéis. A igreja de Nossa Senhora da Muxima, erguida às margens do rio Kwanza, tornou-se um marco de devoção desde 1599, quando os colonizadores portugueses a construíram ao lado de uma fortaleza que domina a travessia para o Atlântico. A estátua de Mamã Muxima, venerada pelos fiéis, simboliza uma fé ancestral que atrai peregrinos ao longo dos séculos.

A Angola atual convive com fortes assimetrias sociais e com a pobreza extrema: quase um terço da população vive abaixo da linha internacional de pobreza, fixada em US$ 2,15 por dia, segundo o Banco Mundial. O Papa chega a um país que registra profundas desigualdades provocadas pela distribuição desigual da riqueza, conforme apontam líderes religiosos locais. A visita ocorre em um momento de instabilidade social, com lembranças de turbulências ocorridas em julho de 2025, quando manifestações contra o custo de vida se transformaram em episódios de violência com dezenas de mortos e centenas de detenções. Analistas ligam esse descontentamento ao legado do MPLA, partido no poder desde a independência em 1975, mesmo diante das eleições de 2027.

O encontro do Papa com a população angolana, a ?tica entre fé e realidade social e a referência a uma África que busca prosperidade sem excluir os jovens compõem o cerne desta visita histórica. Ao falar de justiça, partilha e dignidade humana, Leão XIV oferece um marco para políticas públicas sensíveis à pobreza, à educação e à independência econômica, que possam sustentar uma democracia mais estável e participativa.

E você, leitor, concorda que a fé pode servir de impulso para mudanças reais na distribuição de riqueza e nas oportunidades para os jovens em Angola e na região? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como eventos desse tipo influenciam a percepção de justiça social no seu dia a dia.

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