Caso Master: BRB aprova aumento de capital em até R$ 8,8 bilhões

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Resumo em uma linha: o BRB aprovou, em assembleia, aumento de capital de até R$ 8,81 bilhões para reforçar o caixa, ampliar crescimento e melhorar indicadores, em meio a uma crise causada por fraudes associadas ao Banco Master.

O Banco de Brasília (BRB) aprovou, nesta quarta-feira (22), o aumento de capital que pode chegar a até R$ 8,81 bilhões. A operação prevê a emissão de ações ordinárias e preferenciais a um preço de R$ 5,36, com subscrição privada. O objetivo é fortalecer o caixa da instituição, ampliar a capacidade de expansão de suas operações e reforçar os indicadores prudenciais e patrimoniais do banco estatal, que hoje enfrenta um cenário de crise institucional sem precedentes. O Governo do Distrito Federal (GDF), controlador da instituição, detém 53,7% das ações.

Segundo a assembleia, o capital social do BRB deve subir de R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, com o teto podendo alcançar R$ 11,16 bilhões. A ampliação visa assegurar níveis adequados de capitalização, apoiar o crescimento da operação e fortalecer a estrutura financeira da empresa. Os acionistas também autorizaram o Conselho de Administração a tomar todas as medidas necessárias para viabilizar o aumento de capital.

A decisão ocorre em meio à crise institucional desencadeada pela Operação Compliance Zero, deflagrada em 2025, que revelou um rombo bilionário decorrente do acúmulo de créditos ligados ao Banco Master. O controlador do Master, Daniel Vorcaro, está preso desde o início do ano, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), é investigado por crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Como parte dos esforços para recompor o valor perdido, o BRB assinou, na segunda-feira (20), um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para a venda de ativos comprados do Master.

A operação com a Quadra envolve o pagamento à vista de entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões pelos créditos adquiridos pelo BRB, além de um montante adicional entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, conforme os resultados obtidos na cobrança desses títulos. A negociação prevê a criação de um fundo de investimento para a gestão e monetização dos ativos, do qual BRB e Quadra terão participação. A conclusão depende de aprovação pelo Banco Central (BC). Economistas estimam que o retorno do fundo será determinante para o êxito da transação.

O economista César Bergo, da Universidade de Brasília, ressalta que, mesmo que o acordo com a Quadra seja aprovado, ele não resolve sozinho a crise do BRB. “É um negócio que pode atenuar a situação, mas outras ações serão necessárias”, afirma. Entre as medidas adicionais, o BRB busca sinalização para empréstimo superior a R$ 6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e indica a possibilidade de uma gestão mais austera, com mudanças estratégicas no seu cenários de negócios.

Além das mudanças financeiras, a assembleia homologou as nomeações para o Conselho de Administração: o atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e os membros Joaquim Lima de Oliveira e Sérgio Iunes Brito foram reconduzidos. A direção aposta que, com o aumento de capital e a reestruturação, o BRB poderá recuperar fôlego para enfrentar o legado da crise e retomar o caminho do crescimento sustentável.

A situação do BRB indica que o caminho para a recuperação passa por uma combinação de reforço de capital, venda de ativos problemáticos e uma governança mais rigorosa. A parceria com a Quadra, se aprovada pelo BC, pode oferecer liquidez imediata e reduzir perdas futuras, mas exigirá continuidade de ajustes internos e apoio institucional para restaurar a confiança dos mercados e dos clientes da cidade.

Como você enxerga o futuro do BRB diante desse conjunto de medidas? Deixe sua opinião nos comentários: você acredita que o aumento de capital, aliado à venda de ativos e a uma gestão mais austera, pode devolver a estabilidade ao banco público regional?

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