Ato repudia polos gastronômicos em área verde: “Parque não é shopping”

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Neste domingo, 26 de abril, mais de 600 pessoas se reuniram no Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, para protestar contra a instalação de polos gastronômicos em áreas verdes da cidade. O ato reuniu moradores da região, associações e parlamentares, em meio a um edital da gestão Ricardo Nunes (MDB) que prevê a concessão de espaços para a exploração de alimentos dentro de parques públicos.

Segundo o edital a ser aplicado, a prefeitura pretende liberar áreas específicas para pontos de alimentação dentro dos parques, com estruturas que podem ser fixas ou móveis. Cada ponto pode ocupar até 20 metros quadrados. As regras variam conforme o local: em uma área próxima às entradas principais, não será permitido o uso de mesas e cadeiras; em outra, próxima dos sanitários, haverá autorização limitada para mobiliário de apoio. Em todos os casos, as instalações deverão ser removíveis e não podem avançar sobre a vegetação nem descaracterizar o espaço público.

No caso da Aclimação, o edital prevê duas áreas destinadas a pontos fixos de alimentação, com estruturas de até 20 metros quadrados cada. Além disso, um elemento sensível do debate é a antiga cancha de bocha, ainda existente no parque, que moradores defendem manter ou recuperar como espaço de convivência comunitária, ao invés de permitir ocupações comerciais nesse ponto.

O protesto contou com falas de representantes de associações, conselheiros e frequentadores do parque. Entre os presentes estavam parlamentares como o deputado Maurici (PT) e os vereadores Nabil Bonduki (PT), Amanda Paschoal (PSol) e Marina Bragante (PSB). O grupo destacou a ideia de que “Parque não é shopping” e alertou para impactos ambientais ao longo dos anos caso a proposta avance sem salvaguardas rigorosas.

Sobre a proposta, a chefe de gabinete da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Tamires Oliveira, afirmou que o projeto não prevê restaurantes de luxo nem a privatização dos parques. Em vez disso, seriam criados pontos simples de alimentação, como quiosques, carrinhos e food trucks, com estruturas limitadas. A fiscalização seria feita pela própria prefeitura e os pontos funcionariam por meio de termos de permissão de uso, com a possibilidade de cobrança de taxas ou investimento em melhorias.

Oliveira também rebateu críticas sobre privatização, dizendo que não se trata de concessão nem de privatização, mas de um instrumento mais simples que pode ser encerrado facilmente se houver descumprimento. Ela ressaltou que o objetivo é manter os parques bem cuidados, com regras claras para evitar impactos na vegetação e no espaço público.

Além da volta de novos debates, o próximo ato está marcado para ocorrer no Parque Augusta, na Consolação, daqui a três semanas, ampliando a mobilização de moradores da cidade que acompanham o tema com atenção.

Os organizadores ressaltam que o objetivo do texto não é travar a participação do setor privado, mas preservar a qualidade dos parques. A prefeitura diz que as propostas buscam manter o espaço público acessível e bem cuidado, com regras que protegem áreas verdes emblemáticas da cidade e asseguram que qualquer ocupação seja provisória e sujeita a fiscalização constante.

Se você mora na cidade, já participou de debates sobre o uso de áreas públicas para atividades comerciais? Deixe sua opinião nos comentários. Como você imagina o equilíbrio entre manutenção, lazer e preservação ambiental nos parques da cidade?

Encerramos convidando leitores de todas as regiões a acompanhar os próximos desdobramentos e a compartilhar experiências de uso dos parques. A discussão continua aberta, com a participação da população, da imprensa e de representantes do poder público para encontrar caminhos que atendam a diferentes interesses sem comprometer o verde urbano.

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