Maioria dos evangélicos temem a influência da inteligência artificial no cristianismo

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Resumo rápido: uma pesquisa recente da Lifeway Research mostra que três em cada cinco frequentadores de igrejas protestantes nos Estados Unidos estão preocupados com a influência da inteligência artificial no cristianismo. O estudo aponta divisões expressivas entre denominações, entre fiéis e entre pastores quanto ao uso da IA para preparar sermões, com apenas 44% vendo valor nessa prática e 43% se opondo. A adoção entre líderes religiosos ocorre de forma lenta e desigual, enquanto jovens fiéis mostram maior abertura a discutir princípios bíblicos aplicados à IA.

O estudo combina duas pesquisas: uma entrevista telefônica com 1.003 pastores protestantes realizada em setembro de 2025, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais, e uma pesquisa online com 1.200 frequentadores de igrejas protestantes americanos realizada em setembro anterior, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais. As conclusões destacam o debate sobre se os pastores devem usar a IA na preparação de seus sermões e como essa tecnologia pode impactar a fé e a prática religiosa.

Entre os frequentadores, 44% afirmam não ver problema algum na utilização de IA para cultivar sermões, enquanto 43% se opõem, incluindo 24% que discordam fortemente. Ainda há 13% indecisos. Em termos de abertura em relação à prática, os menos devotos (48%) tendem a aceitar mais a ideia de preparar sermões com ajuda da IA do que os que vão aos cultos semanalmente (42%). Além disso, quem não segue crenças evangélicas é mais receptivo (49%) do que os evangélicos (40%).

Segundo Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, a cautela diante de novidades é natural, e pastores e fiéis compartilham preocupações sobre a IA. “A maioria dos fiéis mais jovens gostaria de ouvir princípios bíblicos aplicados à IA em um sermão para formar sua perspectiva”, diz ele. A pesquisa se baseia na coleta de dados de 1.003 pastores por telefone (setembro de 2025) e de 1.200 frequentadores por online (setembro anterior).

Entre as denominações, os presbiterianos e fiéis reformados lideram a lista de preocupações, com 64% citando cautela, seguidos pelos batistas (62%). Os metodistas aparecem como o grupo menos preocupado (48%). Em termos de gênero, homens tendem a dizer que não têm preocupações com a IA (31%), em comparação com 25% das mulheres. Quem frequenta cultos de uma a três vezes por mês também é mais propenso a não se preocupar (31%) do que os frequentadores semanais (26%).

Sobre a ideia de abordar IA em sermões, 42% dizem que haveria valor em um discurso que aplique princípios bíblicos à IA, enquanto 43% discordam, com 25% entre eles discordando fortemente. Os mais jovens parecem mais abertos à proposta, com 50% entre 18–29 anos e 53% entre 30–49 anos considerando que vale a pena, em contraste com 38% de 50–64 anos e 33% de 65 anos ou mais.

No âmbito dos pastores, a adoção da IA é gradual e desigual. Aproximadamente 10% se descrevem como usuários regulares, e 32% afirmam estar experimentando a tecnologia. Outros 18% aguardam exemplos mais convincentes, enquanto 18% evitam ativamente a IA e 20% simplesmente ignoram. A prática tende a ser mais comum entre jovens, em cidades, com maior nível de escolaridade e liderando congregações maiores. Entre pastores com 65 anos ou mais, apenas 4% são usuários regulares e 23% estão experimentando a IA. Em áreas rurais, 27% dizem ignorar a tecnologia, contra 18% em áreas urbanas.

Os dados também mostram que a formação acadêmica influencia o uso: apenas 5% dos pastores sem formação superior são usuários regulares, enquanto 14% dos que possuem doutorado o são. Constatou-se ainda que congregações com 250 ou mais membros são, em grande parte, lideradas por pastores que estão experimentando (43%) ou usando regularmente (15%) IA.

No que diz respeito às linhas denominacionais, luteranos e batistas aparecem entre os grupos mais resistentes, com boa parte dos pastores afirmando ignorar (22%) ou evitar (24% e 20%, respectivamente) a tecnologia. Em contrapartida, membros da Igreja da Santidade aparecem como os mais propensos a experimentar IA (43%) e 18% dizem usá-la regularmente. Mesmo com diferenças, praticamente todos os pastores mencionam pelo menos uma preocupação: 84% citam erros no conteúdo gerado por IA que exigem correção, 81% destacam a dificuldade de garantir fontes confiáveis e 76% reconhecem possíveis vieses nas conclusões apresentadas pelos sistemas de IA.

Outro tema recorrente é a transparência: 62% dos pastores temem que quem usa IA em seu trabalho não divulgue a colaboração tecnológica. Preocupações com plágio aparecem em 59%, e 55% acreditam que Deus sempre se comunicou por meio de pessoas humanas, não por IA. Entre evangélicos e clérigos tradicionais, as nuances variam, com maior ênfase dos evangélicos em relação à questão do plágio (65% contra 56%).

Palavras-chave: inteligência artificial, IA, igreja, sermões, Lifeway Research, estudo religioso, denominações protestantes, pastores, fiéis, adoção de tecnologia. Meta descrição: Estudo da Lifeway Research revela que 60% de frequentadores de igrejas protestantes nos EUA temem a influência da IA no cristianismo, com divergências acentuadas entre denominações, faixas etárias e níveis de escolaridade sobre o uso da IA em sermões.

Num panorama cada vez mais tecnológico, o debate sobre IA na vida religiosa não é simples nem rápido de resolver. A pesquisa mostra que, independentemente da posição, a maioria reconhece a necessidade de discutir princípios éticos, transparência e qualidade das informações geradas pela IA, para que a tecnologia possa, ou não, orientar a fé de maneira responsável. E você, o que pensa sobre usar IA para ajudar na preparação de sermões ou na orientação espiritual? Deixe seu comentário, compartilhe sua visão e participe desta conversa que atinge moradores de diversas regiões e crenças.

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