Uma bomba guiada atingiu pela segunda vez a Igreja da Transfiguração do Senhor, em Sloviansk, Donbas, no dia 25 de abril, causando o desabamento de parte do telhado e danos significativos a portas e janelas. Não houve relatos de feridos. O ataque ocorreu no mesmo prédio onde, em 2014, dois filhos do pastor foram sequestrados, torturados e mortos durante um culto.
A explosão foi descrita por moradores como extremamente poderosa. Segundo Mikhail Pavenko, sobrinho do pastor e capelão voluntário na Ucrânia, a bomba — possivelmente uma KAB-500S-E com entre 500 e 1.500 kg de explosivos — caiu próximo à igreja, provocando destruição generalizada. Embora a igreja tenha perdido parte de seu teto e todas as janelas, o culto seguinte aconteceu sem feridos.
A história de Luhansk e Sloviansk está marcada por perdas profundas. O pastor Alexander Pavenko perdeu dois filhos, Ruvim e Albert, em 2014, capturados por milícias apoiadas pela Rússia. O neto dele, Yaroslav Pavenko, também capelão, morreu em 2023 ao entregar suprimentos aos soldados que lutavam pela Ucrânia. O próprio Mikhail viu familiares e tios pastores enfrentarem o peso de uma guerra que não dá trégua aos fiéis.
A violência contra igrejas tem se intensificado desde 2022. Antes de 2014, a região de Luhansk contava com cerca de 150 comunidades protestantes; em 2024, quase não restaram espaços de culto independentes na área. A cada ataque, entidades religiosas reiteram que a fé permanece e que as igrejas continuam servindo a moradores e militares, com muitos fiéis retomando atividades e realizando batismos, mesmo em meio ao conflito. A luta pela liberdade religiosa é tema de debates no exterior, com a defesa de uma legislação que responsabilize sanções contra ações de repressão à fé.
Entre os relatos, surge a percepção de uma guerra que busca moldar a religião na região: a Rússia é acusada de perseguir comunidades protestantes e de impor o controle da igreja estatal. Um documentário sobre o sofrimento dos cristãos ucranianos, bem como campanhas de arrecadação para reparos — estimados em US$ 500 mil —, evidenciam a resiliência da fé local. Enquanto isso, a fé segue sendo prática cotidiana, com batismos ocorrendo mesmo após ataques, inclusive em Vyshneve, perto de Kiev.
Moradores da região afirmam que a guerra não acabou e que os ataques a locais de culto continuam, inclusive em Zaporizhzhia e outras cidades sob ameaça. A opinião pública, nos Estados Unidos, busca acompanhar de perto o andamento das sanções e das iniciativas legislativas para frear a violência contra a fé na Ucrânia, destacando a importância de proteger igrejas como espaços de abrigo e comunidade. Deixe abaixo sua opinião sobre o papel da fé em tempos de conflito e como as comunidades locais podem se manter firmes diante da adversidade.
