Um treinador de jiu-jítsu de Manaus foi preso sob suspeita de abusos sexuais, físicos e psicológicos que teriam durado 14 anos, começando quando a vítima tinha 12 anos. A denúncia pública chegou pela atleta Brenda Larissa Alves da Silva, 27, que descreve um esquema de controle e exploração financeira encoberto pela relação de treinador e alunas.
Brenda relata que Melqui se aproximou pela promessa de mudanças na vida da família, oferecendo apoio financeiro, custeio de alimentação, quimonos e viagens para competições. Em troca, ela diz ter entrado em um ciclo de abusos repetidos e humilhações que passaram a dominar sua vida.
Ela descobriu, aos 16 anos, que não estava sozinha: outras alunas enfrentavam situações parecidas, segundo seu relato. O treinador chegou a criar um namoro falso com outro aluno para encobrir os abusos e afastar suspeitas.
Mesmo com mudanças de cidade, o vínculo permaneceu. Brenda chegou a participar de um projeto dele nos Estados Unidos, mas o visto foi negado; ela viajou apenas para competir no Mundial. Mais tarde morou em São Paulo com o então namorado, o que reduziu o contato com Melqui.
Durante a pandemia, ao retornar a Manaus, Brenda diz ter sido pressionada a manter o relacionamento profissional e continuou recebendo contatos e propostas para retornar aos treinos. Ela rompeu o vínculo em 2023, mas afirma que o treinador persistia na tentativa de influenciá-la.
A atleta também afirma que Melqui tentou interferir na carreira de outras pessoas, pedindo o fim de relacionamentos e oferecendo vantagens para que ela voltasse aos treinos. Brenda afirma ainda que a irmã dela também foi vítima de abuso pelo mesmo homem.
O caso ganhou escala após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciar atos libidinosos não consentidos durante uma competição no exterior. A Polícia Civil investiga, com a suspeita de que existam outras vítimas em diferentes estados.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao treinador em Jundiaí, interior de São Paulo. A prisão temporária foi decretada pela Justiça, com a Polícia Civil do Amazonas informando que as investigações continuam em Manaus e que Melqui permanece detido na Delegacia-Geral, com decisão judicial para possível transferência a São Paulo.
Melqui Galvão era faixa preta e dirigia uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele é pai de Mica Galvão, lutador reconhecido; Mica publicou mensagem pública defendendo o direito das vítimas de buscar justiça e reiterando que repudia qualquer violência.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com depoimentos presenciais e virtuais para esclarecer os crimes. A cidade esportiva de Manaus acompanha a evolução das apurações.
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