Com quase 9 mil habitantes, São Tomé de Paripe é um trecho verde no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A praia que ainda sustenta lazer, trabalho e deslocamento virou palco de contaminação por metais pesados identificada em fevereiro, limitando o acesso da cidade à região litorânea e impactando a economia local. A série Águas de São Tomé relembra esse acidente ambiental e as fragilidades da gestão ambiental na Baía de Todos os Santos.
Jocival David, 48 anos, nasceu no bairro e atua com os moradores numa vigilância independente diária da faixa de areia, registrando pontos de contaminação, mortes de animais e movimentações no Terminal Itapu. Joilda Borges dos Santos, 48, permissionária e dona de uma barraca, sustenta outros três trabalhadores e explica como a crise já derrubou famílias que dependem da praia para trabalhar. “Não sei quando vamos voltar a trabalhar”, diz.
O Ministério Público da Bahia, representado pela promotora Hortênsia Gomes Pinho, tem mediado as ações desde que a contaminação ganhou destaque. São realizadas reuniões semanais com moradores, o Inema e as empresas envolvidas. Em março, o Terminal Itapu foi interditado. O objetivo é suspender a licença ambiental da unidade e estabelecer um acordo de responsabilização que garanta ressarcimento a 800 famílias, com valor de referência de R$ 1.621 por seis meses.
Para a carreira de pesca, as consequências vão além da água contaminada. Clenio Dias, 63, um dos pescadores mais conhecidos da região, afirma que precisa pescar mais longe, na Ponta de Nossa Senhora e Paramana, e que parte da produção é doada para evitar perdas. Joilda acrescenta que a normalidade é essencial: crianças correndo pela praia, pais levando o sustento para casa e turistas voltando a ver uma praia limpa.
Nesta sexta-feira, moradores voltaram a se reunir em frente ao litoral para acompanhar as negociações entre o Ministério Público, a Intermarítima e as partes envolvidas. Enquanto aguardam soluções definitivas, pessoas da localidade promovem doações de alimentos e apoio mútuo para manter a convivência e a dignidade na paisagem comum.
A cidade encara o desafio de conciliar reparação ambiental, responsabilidade empresarial e recuperação da vida cotidiana. E você, qual caminho defende para devolver a dignidade a bairros afetados por contaminação? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão.
