O piauiense Kassio Nunes Marques, 53, hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral, teve a carreira moldada por um encontro casual que mudou de rumo. Em 2018, durante um almoço com amigos numa churrascaria da Vila Planalto, em Brasília, ele viu Jair Bolsonaro numa mesa vizinha, trocou cumprimentos simples e a partir dali tudo começou a tomar outra direção.
A conversa foi breve, quase burocrática — apenas o gesto de entregar cartões de visita —, mas o contexto já revelava as pretensões de Nunes Marques. À época, ele era juiz do TRF-1 e aspirava chegar ao Superior Tribunal de Justiça. Um marco veio quando Bolsonaro acabou sendo atacado em Juiz de Fora; Nunes Marques o visitou para desejar recuperação. Em setembro de 2020, já com Bolsonaro na Presidência, ocorreu o encontro definitivo que mudou tudo: o presidente o convidou para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
A nomeação ganhou suporte de dois senadores com quem o magistrado mantinha boa relação: Ciro Nogueira, do PP, e Flávio Bolsonaro. Flávio compareceu à posse de Nunes Marques no TSE, enquanto Nogueira não esteve presente, lembrando que, entre aliados, as conexões pesam na formatação de apoios políticos.
Mesmo após a nomeação, parte da base bolsonarista viu nele alguém em quem vale apostar, ainda que haja críticas a uma eventual aproximação com o governo Lula e o PT. No fim do ano passado, por exemplo, o ministro foi visto na Praia do Forte, na Bahia, em encontro com o deputado Lindbergh Farias e com Gleisi Hoffmann, ampliando redes diversas. Nunes Marques também mantém uma casa na Praia de Guarajuba, nos arredores, o que alimenta a imagem de um magistrado com contatos amplos e pragmáticos.
Conforme o perfil dele se revela, o juiz se coloca como alguém de centro, que valoriza o diálogo acima de bandeiras. Gosta de música e costuma organizar rodas de samba com o ministro José Múcio, entre outros amigos. Admite ser um intérprete amador, bem distante de profissionais como Múcio, e afirma manter portas abertas ao diálogo com diferentes lideranças, de Jaques Wagner a Edinho Silva. Essa versatilidade tem ajudado a manter a imagem de um juiz capaz de transitar entre distintos mundos da política.
O que chama atenção é como um simples encontro de restaurante pode abrir caminhos no poder público, conectando judiciário, Legislativo e Executivo. E você, o que pensa sobre esse percurso que cruza amizade, estratégia e decisões tão relevantes para o país? Compartilhe sua leitura nos comentários e conte como a história dele impacta sua visão do tribunal que hoje comanda.
