Uma operação da Polícia Federal, batizada Sem Refino, autorizada pelo STF, marca uma nova fase da ADPF das Favelas. A ação incluiu buscas no condomínio do ex-governador Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, e o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos de investigados ligados ao setor de combustíveis.
A PF aponta ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior, fraudes fiscais e atuação de organizações criminosas com influência sobre estruturas econômicas estratégicas no estado.
A operação está inserida nas apurações da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.
Nos últimos meses, o Supremo consolidou um conjunto de medidas que ampliaram o controle sobre operações policiais no Rio e, ao mesmo tempo, fortaleceram a atuação federal no combate às facções.
Entre as determinações impostas pelo STF está a criação de um núcleo permanente da Polícia Federal voltado exclusivamente à produção de inteligência sobre organizações criminosas com atuação interestadual e internacional no Rio de Janeiro.
A Corte também determinou prioridade máxima da Receita Federal e do Coaf em investigações financeiras relacionadas às facções, além da elaboração de um plano de retomada territorial de áreas dominadas pelo crime organizado.
As decisões vieram após anos de debate sobre violência policial, operações em regiões dominadas pelo crime e o crescimento do poder econômico das facções cariocas.
A megoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, considerada uma das mais letais da história recente do Rio.
É nesse contexto que surge a Operação Sem Refino. Segundo investigadores, o grupo alvo utilizaria estruturas empresariais e financeiras para movimentar patrimônio, ocultar recursos e operar negócios considerados estratégicos no mercado de combustíveis.
A investigação também chegou ao empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, incluído na Difusão Vermelha da Interpol por determinação judicial.
