A Justiça concede liberdade a envolvidos na operação Narco Fluxo. A desembargadora Sylvia Marlene de Castro Figueiredo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, mandou soltar Raphael Sousa Oliveira, dono da página de fofocas Choquei, que integrava a lista de investigados na operação Narco Fluxo. Também foram beneficiados pela decisão Marlon Brendon Coelho, conhecido como MC Poze do Rodo; a MC Ryan; Chrys Dias e Rodrigo Oliveira, dono da GR6. Ao todo, outros 17 investigados também tiveram a liberdade concedida. Os alvarás já foram expedidos e dependem apenas de procedimentos administrativos para a liberação.
A magistrada justificou que a prisão preventiva não apresenta fundamentos suficientes para a continuidade da detenção até a denúncia pelo Ministério Público Federal. A Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir as investigações. Até o momento, nenhum investigado foi formalmente denunciado, segundo a decisão, o que torna a manutenção da prisão desproporcional diante da ausência de elementos para a acusação.
Entre as regras de cautela, os libertados devem, em até 10 dias, informar o endereço atualizado, comunicar mudanças de residência e comparecer a todos os atos do processo. Também precisam se apresentar mensalmente à Justiça para comprovar atividades e não podem deixar a cidade sem autorização por mais de cinco dias. Viagens ao exterior só com autorização, com a entrega do passaporte, caso possuam o documento.
A Narco Fluxo investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas de quotas fixas, as chamadas bets, associadas ao tráfico de drogas. A apuração aponta a atuação de uma organização criminosa voltada a movimentar grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e operações com criptoativos, sobretudo a moeda digital USDT (Tether), tanto no Brasil quanto no exterior.
Lei Antifacção. Em decisão anterior, o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Criminal Federal de Santos, enquadrou MC Ryan SP e todos os investigados da Narco Fluxo nesse regime. O magistrado descreve os alvos como envolvidos com organizações criminosas ultraviolentas, como PCC e CV, apontando sinais de ligação com estruturas de maior envergadura que atuam no país e também no exterior.
O caso permanece em estágio avançado de apuração, com investigações destacando um possível esquema bilionário de lavagem de dinheiro que envolve dinheiro em espécie, transferências e criptoativos. A Polícia Federal mantém o foco na conexão entre estas ações e grupos criminosos de grande porte, com desdobramentos que devem continuar nos próximos meses.
