Deolane Bezerra, influenciadora digital e advogada, foi presa nesta quinta-feira durante a Operação Vênix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
A investigação aponta que a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como Lado a Lado Transportes, era usada para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção. A soma manipulada ultrapassaria mais de R$ 20 milhões, com valores declarados ao Fisco incompatíveis com as movimentações financeiras identificadas pela polícia.
Além de Deolane, seis prisões preventivas foram decretadas e há o cumprimento de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão o líder do PCC, Marcola (Marco Herbas Camacho), o irmão dele Alejandro Camacho, e familiares como Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, além de Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização.
O Ministério Público e a Polícia Civil indicam que o PCC administrava o esquema dentro do sistema penitenciário federal. Conversas apreendidas em celulares mostram familiares cuidando da gestão financeira da transportadora, repasses de ordens e a divisão de lucros. Deolane seria, segundo investigadores, a suposta caixa da facção, com parte dos recursos sendo inserida no sistema financeiro formal.
Ao todo, a Justiça bloqueou mais de R$ 327 milhões em bens, além de apreender 17 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e quatro imóveis ligados aos investigados. O inquérito aponta ainda movimentações milionárias sem origem comprovada e o uso de empresas para ocultar patrimônio, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Os desdobramentos incluem alcance internacional: três investigados estariam na Itália, Espanha e Bolívia, incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol para localização e prisão. A apuração teve início em 2019, após apreensões na Penitenciária II de Presidente Venceslau, quando materiais contendo referências à estrutura do PCC apontaram para a rede financeira da facção.
As autoridades continuam as investigações para esclarecer o aparato financeiro do PCC e a participação de familiares e operadores ligados à facção. O caso demonstra a complexidade de golpes financeiros ligados ao crime organizado e o alcance de medidas penais em várias frentes.
