PCC: veja cronologia de operação que mirou Marcola e Deolane

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Uma operação da Polícia Civil, com apoio do Ministério Público, deflagrada em São Paulo nesta quinta-feira (21/5) mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção PCC. A ação envolve a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o líder Marcola e familiares, com seis prisões preventivas decretadas e o bloqueio de valores, veículos e imóveis relevantes para interromper o fluxo de recursos ilícitos.

Batizada de Vérnix, a operação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. O Ministério Público e a Polícia Civil apontam que o grupo utilizaria uma transportadora do interior paulista como braço financeiro da organização criminosa para movimentar recursos de origem duvidosa.

Deolane, segundo os investigadores, teve papel central ao oferecer uma camada de aparente legalidade para o dinheiro proveniente de atividades criminosas. A exposição pública da influenciadora, aliada a atuação empresarial formal, seria usada para ocultar a ligação com o PCC e dificultar a identificação da origem dos recursos.

As autoridades destacam que a tomada de assets visa interromper o fluxo financeiro ilícito e preservar o patrimônio ligado a possíveis crimes, além de atacar a estrutura econômica da facção. Ao todo, foram bloqueados valores superiores a R$ 327 milhões, apreendidos 17 veículos — entre eles modelos de alto luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis ligados aos investigados.

A cronologia da investigação mostra um caminho que começou em 2019, quando bilhetes recolhidos em presídios fizeram referências à dinâmica interna do PCC e aos ataques a agentes públicos. A partir daí, a polícia identificou uma “mulher da transportadora” responsável por levantar endereços de servidores para planejar ações da facção, o que levou à segunda etapa da apuração.

Na sequência, a operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, revelou o papel da transportadora como braço financeiro do PCC e o uso de movimentos atípicos de dinheiro. Um celular encontrado durante a apuração indicou repasses financeiros para Deolane, fortalecendo o vínculo entre a influenciadora e operadores do grupo. A partir disso, o foco se ampliou para a ligação de Deolane com o comando da facção.

Além de Deolane, a investigação mira Alejandro Camacho, irmão de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Everton de Souza, apontados como operadores financeiros ou aliados estratégicos do grupo. As medidas visam isolar recursos de origem criminosa, bem como desarticular a rede de empresas envolvidas na ocultação de patrimônio.

Entenda a cronologia da operação alvo de Deolane e do PCC:

  • A investigação começou em 2019, com apreensão de bilhetes de detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
  • Os documentos apontaram a dinâmica interna do PCC e a atuação de lideranças, com possíveis ataques a agentes públicos.
  • Foi identificada a menção a “uma mulher da transportadora”, que levantou endereços de servidores para planejar ações do PCC; a transportadora passou a ser alvo direto.
  • Em 2021, a operação Lado a Lado revelou o uso da transportadora como braço financeiro do PCC e movimentações financeiras incompatíveis.
  • Durante Lado a Lado, houve apreensão de um celular com indícios de repasses para Deolane e vínculos com um gestor fantasma da transportadora.
  • Os levantamentos indicaram movimentação de valores elevados, origens pouco claras e aquisições de bens de alto padrão, embasando o desdobramento desta quinta-feira.

A Justiça determinou o sequestro de ativos, inclusive imóveis, além do bloqueio de valores significativos, para conter a expansão econômica da facção. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam acompanhando o desdobramento, com o objetivo de esclarecer a relação entre pessoas públicas, empresas formais e um esquema amplo de lavagem de dinheiro.


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