Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais destaca prevenção

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é celebrado nesta terça-feira, 28 de julho, como ápice da campanha Julho Amarelo no Brasil, criada pela Lei 13.802/2019 para promover prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites. A iniciativa é promovida em todo o país pela comunidade médica, com cobertura de veículos de comunicação parceiros, entre eles a Agência Brasil, conforme informações divulgadas pela SBH e pela instituição parceira do PrimeiroJornal.

As hepatites virais são inflamações agudas ou crônicas do fígado, classificadas pelos vírus A, B, C, D (Delta) e E. No Brasil, as hepatites mais encontradas são as causadas pelos vírus A, B e C. Em muitos casos, a doença progride sem sintomas evidentes por longos períodos, com sinais surgindo apenas em fases mais avançadas.

“O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início. O fígado tem uma grande reserva funcional e isso explica por que ele pode sofrer inflamação por muitos anos sem produzir sintomas evidentes”, explicou o hepatologista.

As hepatites virais podem evoluir para cronicidade e levar a complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. No caso da hepatite B, o risco de câncer ocorre predominantemente em pacientes com cirrose. Essa situação costuma aumentar a mortalidade por descompensação da doença, e muitos pacientes podem necessitar de transplante de fígado, conforme explicação do especialista.

27/07/2026 - Dr. Adriano Moraes é hepatologista, doutor em Hepatologia pela Universidade de São Paulo; diretor da SBH e da FBG, coordenador do programa de Residência em clínica médica do Hospital Santa Lúcia Sul.

Crédito: Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH)/Divulgação

O alerta anual do Julho Amarelo enfatiza a importância do diagnóstico e do tratamento precoces para reduzir inflamação e os riscos de cirrose e câncer de fígado. Segundo a SBH, muitos pacientes não tratados evoluem para cronicidade ao longo da vida, aumentando as complicações.

A SBH afirma, em parceria com a Agência Brasil, que a campanha funciona de forma descentralizada em todo o território nacional e incentiva médicos associados a realizar ações nos municípios. Além disso, a SBH atua como fonte de informação e orientação de saúde para o público.

Entre as recomendações, destacam-se a prevenção por meio da vacinação, a testagem e os cuidados comportamentais e de higiene.

A vacinação contra hepatite B é recomendada para todas as pessoas, especialmente profissionais de saúde, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, conviventes com HIV, renais crônicos e imunodeprimidos, em termos gerais. A vacinação contra hepatite A é indicada para crianças, homens que fazem sexo com homens e viajantes para áreas endêmicas.

O médico Adriano Moraes reforça que é essencial evitar o compartilhamento de itens pessoais e fazer uso contínuo de preservativos, principalmente para proteção contra hepatite B.

“Deve-se orientar o uso de preservativos na prevenção da hepatite B e nunca compartilhar agulhas, seringas, alicates de unhas, lâminas de barbear e escovas de dentes”, destacou o especialista.

Outra medida fundamental, segundo a entidade, é a testagem para detecção precoce das infecções virais. &ldquo>Toda pessoa deve ser testada pelo menos uma vez para as hepatites B e C, especialmente pessoas com mais de 40 anos”, explicou o hepatologista. A testagem rápida para as hepatites B e C também é defendida para públicos prioritários.

Brasília (DF) 17/10/2025 A seleção de uma seringa para vacinação. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Gestantes

Como as hepatites B e C podem ser transmitidas da gestante para o filho durante a gravidez ou no parto, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda diagnóstico precoce por meio de exames de sangue incluídos na rotina pré-natal, como estratégia para prevenir complicações.

O presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, o médico Regis Kreitchmann, enfatiza que identificar precocemente a presença do vírus permite adotar medidas capazes de proteger a mãe e o recém-nascido. &ldquo>São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê”.

“O grande problema da transmissão vertical é que o bebê contaminado tem uma chance muito maior de desenvolver hepatite crônica, o que pode comprometer sua saúde no futuro. Por isso, prevenir essa transmissão é uma prioridade da assistência pré-natal”, afirmou o Dr. Regis Kreitchmann.

Entre as hepatites que podem acometer a gestação, apenas a hepatite B possui vacina disponível.

Principais desafios

A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) aponta gargalos no acesso ao tratamento, como:

  • baixa cobertura vacinal, mesmo com a vacina contra hepatite B disponível gratuitamente pelo SUS;
  • taxa de diagnóstico aquém do ideal;
  • acesso limitado a exames;
  • demora no encaminhamento para especialistas;
  • distância entre centros de referência no tratamento;
  • desigualdades regionais entre estados e municípios;
  • abandono de atendimento, especialmente entre pessoas privadas de liberdade e usuários de drogas ilícitas.

Incidência e óbitos no Brasil

Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025 do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826.292 casos entre 2000 e 2024, sendo 41,5% (HCV), 36,6% (HBV) e 21,2% (HAV).

Entre 2000 e 2024, foram identificados no Brasil 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 óbitos por causas associadas às hepatites virais A, B, C e D. Desse total, Hepatite C respondeu por 75,3% dos óbitos, Hepatite B por 22,0%, Hepatite A por 1,5% e Hepatite D por 0,9%.

Sobre as hepatites A, B, C e E

Cada tipo tem formas próprias de transmissão, sintomas e tratamentos. As hepatites A e E costumam ser transmitidas por alimentos ou água contaminados (fecal/oral) e, com menor frequência, pela via sanguínea; o aumento de casos por vias sexuais tem sido observado. As infecções por B, C e D são transmitidas por fluidos corporais ou pela mãe ao filho durante a gestação.

O Ministério da Saúde disponibiliza o Guia para Eliminação das Hepatites Virais, documento com diretrizes para a erradicação das hepatites virais no Brasil até 2030.

PALAVRAS-CHAVE: hepatites virais, Julho Amarelo, Dia Mundial de Luta contra Hepatites, vacinação, testagem, SBH, Ministério da Saúde, Brasil

META DESCRIÇÃO: Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais e a campanha Julho Amarelo destacam prevenção, diagnóstico e tratamento no Brasil, com dados nacionais e orientações de vacinação e testagem.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Anvisa e Roche revogam o registro de Elevidys para doença rara

Resumo: Anvisa cancela o registro condicional de Elevidys para DMD, com publicação no Diário Oficial. Roche mantém o programa clínico e será exigida...

Pediatras alertam sobre risco de canetas emagrecedoras em crianças

Resumo: SBP emite alerta sobre uso de agonistas GLP-1 (canetas emagrecedoras) em crianças e adolescentes, sem indicação...

Dia D atualiza imunização infantil e amplia alerta contra sarampo

Resumo: Brasília sedia o Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação. Crianças atualizam a caderneta com vacinas, incluindo a pneumocócica 20-valente;...