Resumo: Em Brasília, o registro de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) despencou 85% nos últimos anos, mas o quadro ainda é expressivo. De janeiro de 2023 a maio de 2026 foram emitidos 3.737 certificados, ante 26.332 entre 2019 e 2022. Hoje, a capital tem 31.773 certificados, e o ano com mais registros foi 2022, com 10.782 novas licenças concedidas.
O Certificado de Registro (CR) é o documento para quem se dedica ao tiro esportivo, à caça ou à defesa de coleções. Emitido pela Polícia Federal, ele autoriza aquisição, registro, transporte e guarda de armas de uso permitido ou restrito, além de munições. Cerca de 95% das permissões na capital desde 2003 são para uso desportivo.
O criminólogo Welliton Caixeta Maciel, da UnB, aponta que a fiscalização precisa ser rígida para impedir que armas caiam em mãos erradas. A ideia é evitar que equipamentos alimentem o crime organizado e cheguem a grupos criminosos.
No Distrito Federal, há 46.141 armas registradas por CACs. Desse total, 36.652 pertencem a atiradores esportivos, 5.046 a caçadores e 4.443 a colecionadores. O investimento inicial para se tornar CAC e adquirir a arma de entrada fica, em média, entre R$ 6.500 e R$ 11.500.
Entre os modelos mais usados estão pistolas, com 24.288 unidades; carabinas/fuzis somam 10.566; revólveres chegam a 6.024 e espingardas, 4.877.
No campo dos crimes ligados a CACs, dados do Instituto Sou da Paz apontam um avanço de 745% entre 2019 e 2022, com casos da violência contra mulheres pela Lei Maria da Penha subindo 1100%. O episódio mais recente ocorreu em 18 de maio, em Vicente Pires, quando um CAC de 46 anos atirou três vezes contra o vizinho após uma briga de estacionamento. A vítima, de 39 anos, está em estado grave.
Em agosto de 2025, a PCDF prendeu seis homens com ligações a outros crimes; todos tinham acesso a armas adquiridas com CAC ativos, incluindo condenações por roubo, tráfico, furto, porte ilegal e ameaça. Em março de 2026, outro CAC, de 35 anos, atirou contra policiais durante operação antidrogas em Santa Maria; ele foi contido e preso por tentativa de homicídio, alegando ter acordado confuso.
Novas regras entraram em vigor com decreto de 2025. Para CACs, o limite de armas caiu de 30 para 8. Para defesa pessoal, o teto passou de quatro para duas armas, com exigência de comprovação de necessidade. Pistolas 9 mm, .40 e .45 ACP voltaram a ser consideradas uso restrito das forças de segurança, não liberadas para civis como antes.
Meta descrição: Distrito Federal registra queda nos CACs, mas mantém milhares de certificados. Mudanças de 2025 restringem o número de armas por pessoa e redefinem o uso de pistolas para civis.
Palavras-chave: CAC Brasília, certificado de registro, arma de fogo DF, Polícia Federal, PCDF, decreto armas 2025, crimes com CAC.
