Como funcionava milícia digital de R$ 25 milhões ligada a Dr. Furlan. Veja vídeo

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Resumo: a Polícia Federal deflagrou a Operação Palanque Digital, em Macapá, Belém e Canela, revelando uma milícia digital financiada com contratos de publicidade da prefeitura de Macapá. O objetivo era promover aliados políticos, atacar adversários e disseminar desinformação, com uso de IA e deepfakes. A investigação aponta uma estrutura organizada, existindo há pelo menos quatro anos.

A ação, deflagrada nesta terça-feira, 26 de maio de 2025, envolveu 35 mandados de busca e apreensão. O país viu, pela primeira vez, como uma rede de comunicação pública pode ser usada para fins político-partidários por meio de operações coordenadas em diferentes cidades, alinhando conteúdos e estratégias de ataque nas redes.

Entre os alvos estão políticos como o próprio Dr. Furlan, influenciadores, jornalistas, ex-secretários municipais, como Juarez Menescal, preso em flagrante com arma de fogo, empresários da comunicação e donos de agências de publicidade.

Desenho da operação: segundo os investigadores, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas, fluxo financeiro bem definido e setores dedicados à produção de conteúdo político e ataques digitais. No topo havia um núcleo estratégico que definia narrativas, escolhia adversários, decidia campanhas de promoção e orientava ataques virtuais. A liderança acompanhava contratos de publicidade e avaliava resultados nas redes.

A rede envolvia a Secretaria Municipal de Comunicação de Macapá, agências de publicidade e empresas de comunicação que, segundo a PF, funcionavam como canais para distribuir recursos públicos ao esquema.

Os investigadores afirmam que o dinheiro da comunicação institucional da prefeitura era desviado da finalidade oficial e usado para abastecer influenciadores digitais, páginas em redes sociais, blogs, rádios, portais de notícias e perfis artificiais.

A PF aponta que a estrutura produzia conteúdos coordenados para empurrar a imagem de aliados políticos e atacar opositores. Reuniões presenciais e online alinharam quais conteúdos seriam publicados, quem seria alvo dos ataques e como seria a estratégia de disseminação.

A investigação também identificou o uso de inteligência artificial e deepfakes para criar vídeos, imagens e áudios manipulados, com conteúdos falsos e ataques com teor homofóbico disseminados pela rede.

Segundo os investigadores, havia impulsionamento pago e publicações simultâneas em várias páginas para ampliar artificialmente o alcance das mensagens. A rede atuava há, pelo menos, quatro anos e já trazia resultados que chamaram a atenção das equipes de fiscalização.

Histórico e desdobramentos: o ex-prefeito Dr. Furlan voltou ao centro das investigações federais após já ter sido alvo de outras operações. Em setembro de 2025, a Operação Paroxismo avaliou fraudes em licitações e desvios relacionados à construção do Hospital Geral Municipal, em contrato estimado em R$ 69,3 milhões. Em março, a segunda fase levou ao afastamento de servidores por decisão do STF; no dia seguinte, Furlan renunciou ao cargo e abriu pré-candidatura ao governo do Amapá. A PF agora mira se parte da máquina municipal foi usada para financiar a estrutura digital clandestina voltada à autopromoção e à manipulação do debate público nas redes.

Até o momento, a operação resultou na apreensão de R$ 65 mil em espécie, quatro armas de fogo e diversos veículos. Dois suspeitos foram presos. Os envolvidos podem responder por crimes eleitorais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, abuso de poder econômico, desinformação eleitoral e crimes contra a administração pública.

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