No norte da Inglaterra, o The Poison Garden, em Alnwick, abre ao público para revelar mais de 100 espécies tóxicas, alucinógenas e narcóticas que podem intoxicar por toque, inalação ou ingestão. Localizado nos terrenos do Castelo de Alnwick, o espaço mostra que a beleza das plantas pode esconder perigos reais.
A ideia foi idealizada pela duquesa de Northumberland, Helen Percy (1886-1965), fascinada pela relação entre plantas e venenos. O jardim foi aberto ao público em 2005, cercado por grades, com guias especializados e regras rígidas. Algumas espécies ficam isoladas para evitar contato direto, e funcionários usam equipamentos de proteção durante o manejo.
Entre venenos e remédios, o espaço reúne espécies conhecidas até fora do universo botânico, como a mamona (Ricinus communis), que produz ricina, uma substância extremamente venenosa. Ao mesmo tempo, há óleo de ricino extraído da planta, utilizado há décadas em medicamentos e cosméticos após processamento adequado.
“A diferença entre o veneno e o remédio está na dose. Qualquer substância capaz de interferir no metabolismo pode virar um medicamento ou um veneno dependendo da quantidade utilizada”
Essa relação entre toxicidade e uso medicinal chama a atenção. O biólogo e botânico Guilherme Bordignon Ceolin, da UFSM, explica que muitas substâncias usadas como remédios surgiram justamente a partir de compostos tóxicos encontrados em plantas. Ele destaca que há uma falsa sensação de segurança em torno de espécies naturais ou ornamentais, comuns em casas e jardins, que subestimam os riscos.
Embora o The Poison Garden pareça distante da realidade de muitos, parte das espécies cultivadas lá pode ser encontradas em jardins residenciais e espaços urbanos. A comigo-ninguém-pode, muito conhecida no Brasil, é um exemplo clássico: seus cristais podem irritar pele e mucosas ao contato. Outras plantas ornamentais também carregam algum nível de toxicidade, incluindo várias espécies de lírios e outros grupos populares.
A professora Sarah Christina Caldas Oliveira, da UnB, explica que intoxicações podem ocorrer por ingestão, toque ou até inalação. As plantas produzem compostos químicos como defesa natural, e intoxicações afetam principalmente crianças e animais de estimação. Espaços como o The Poison Garden cumprem também uma função educativa, mostrando que nem toda planta é inofensiva por ser natural.
Apesar do apelo de misturar ciência, história e fascínio pelo perigo, o jardim continua a atrair visitantes com guias que explicam curiosidades históricas, usos medicinais e riscos das espécies. Em meio a cores e folhagens, o recado é claro: a beleza pode caminhar lado a lado com a periculosidade.
Você toparia conhecer esse equilíbrio entre encanto e risco? Conte nos comentários qual planta desperta mais curiosidade em você e por quê.
