A acusação pediu a anulação do julgamento que condenou o ex-vereador Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel, de 4 anos, e manteve Monique Medeiros com perdão judicial. Alega que os quesitos apresentados aos jurados foram alterados para induzi-los a um veredito de homicídio culposo, o que pode ter influenciado a decisão. O Ministério Público também pretende recorrer.
Segundo Cristiano Medina da Rocha, assistente da acusação, houve erro na apresentação dos quesitos aos jurados, o que, na visão dele, comprometeu o resultado. Medina chamou o perdão judicial de Monique de “aberração jurídica” e afirmou que a decisão não reflete integralmente as provas do caso.
A magistrada que proferiu a sentença afirmou que Monique foi alvo de misoginia extrema e de uma perseguição implacável nas redes durante os cinco anos do processo. O pai de Henry descreveu a decisão sobre Monique como uma “terceira morte” do filho, destacando o impacto social e emocional do veredito.
Na cronologia do caso, Henry morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos. O garoto chegou ao hospital sem vida, após alegação de queda. A perícia apontou hemorragia interna e lesão hepática causadas por violência, afastando a hipótese de acidente doméstico. A polícia concluiu que as agressões de Jairinho e a omissão de Monique contribuíram para a morte. Um mês depois, o casal foi preso.
Após a condenação, Jairinho permanece preso enquanto os recursos são analisados. Monique chegou a ser solta duas vezes, mas retornou à cadeia. Com a decisão, a Justiça expediu alvará de soltura para ela, ainda que os recursos continuem em pauta.
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