Uma equipe da Universidade de Rochester apresenta, em maio, uma dessalinização movida a energia solar que transforma água do mar em água potável sem gerar salmoura residual e ainda permite recuperar sais e minerais durante o processo. A inovação busca atender à demanda crescente por água doce, com menor impacto ambiental do que as técnicas convencionais.
O estudo, publicado na revista Light: Science & Applications, aborda dois grandes desafios: a necessidade mundial de água doce e a extração de matérias-primas estratégicas de forma mais sustentável. Pesquisas foram testadas com amostras reais do Atlântico, Pacífico e Índico, operando de modo contínuo sem os bloqueios típicos por acúmulo de sais.
O sistema utiliza um painel metálico tratado com pulsos ultrarrápidos de laser, que cria uma superfície altamente absorvente à luz solar. Quando a água do mar encosta no painel, forma-se uma película líquida que evapora e condensa em uma região fria, produzindo água doce enquanto os sais ficam retidos fora da zona de evaporação.
A geometria dos microcanais foi pensada para levar os sais para áreas periféricas do painel, evitando entupimentos na região de evaporação. Assim, a produção de vapor permanece estável, reduzindo o risco de interrupções e, consequentemente, a necessidade de descarte de salmoura.
O conceito faz uso do chamado efeito anel de café, observado no cotidiano quando uma mancha de café deixa um anel ao secar. Segundo Guo, o processo direciona as partículas para as bordas, mantendo o centro ativo para evaporação — uma sacada que ajuda a manter o funcionamento contínuo do painel.
Além de água, o sistema retém praticamente todos os sólidos dissolvidos, abrindo caminho para a recuperação de minerais. Entre eles está o lítio, elemento-chave na fabricação de baterias. Em testes com o Grande Lago Salgado, Utah, a equipe recuperou aproximadamente metade do lítio disponível nas amostras analisadas, evidenciando o potencial da tecnologia como rota alternativa de obtenção de minerais.
Embora os pesquisadores reconheçam que os experimentos ainda são de pequena escala, os princípios físicos indicam possibilidade de escalabilidade futura, com potencial para aplicações maiores e menos impacto ambiental na dessalinização e na extração de minerais.
E você, o que acha dessa abordagem de dessalinização solar associada à recuperação de minerais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe suas perguntas sobre como essa tecnologia pode mudar o acesso à água potável e a oferta de recursos estratégicos.
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