Queda de foguete na Lua abre oportunidades e aponta alerta

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O segundo estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX, que permanece em órbita entre a Terra e a Lua, está previsto colidir com a superfície lunar nas proximidades da cratera Einstein, perto da borda visível da Lua, e da cratera Carroll. O impacto deve ocorrer na madrugada de 5 de agosto, às 3h35 (horário de Brasília), segundo previsões baseadas em cálculos de Bill Gray. Observatórios ao redor das Américas, da África e da Europa preparam-se para registrar o evento, mesmo diante da posição da iluminação solar na região.

foguete spacex lua falcon
Local de impacto do foguete da SpaceX segundo os cálculos de Bill Gray. – Créditos: projectpluto.com

Impactos na Lua são valiosos para a ciência, pois a superfície lunar, desprovida de atmosfera, conserva marcas de impactos ao longo de bilhões de anos. Cada nova cratera exposta permite entender a história geológica da Lua e do Sistema Solar. Além de revelar o regolito, um misto de rochas fragmentadas, o evento abre a possibilidade de observar materiais que ficariam ocultos sob a superfície, fornecendo dados sobre composição e processos de formação.

Essa dinâmica de impacto também funciona como uma espécie de “raio-X cósmico”: o choque projeta material da superfície para fora da cratera, revelando rochas enterradas e, em alguns casos, minerais pouco alterados pelo ambiente espacial. Missões como LCROSS, em 2009, estudaram a possibilidade de água ao direcionar um estágio de foguete contra uma cratera polar.

segundo estágio falcon 9
Parte da equipe da SpaceX em frente a um segundo estágio do Falcon 9, como o que atingirá a Lua em 5 de agosto – Crédito: SpaceX

Diversos astrônomos ao redor do mundo observam sistematicamente a face não iluminada da Lua para captar flashes breves produzidos por impactos. A antecipação do objeto que atingirá a Lua permite testar modelos matemáticos usados para descrever impactos. Se o brilho observado, a quantidade de material ejectado e o tamanho da cratera coincidirem com as previsões, aumenta a confiança nesses modelos; caso contrário, servirá para aperfeiçoá-los.

Esse conhecimento será aplicado não apenas no estudo da Lua, mas também na interpretação de impactos naturais em outros corpos do Sistema Solar e até no planejamento de futuras bases lunares, que precisarão conviver com o constante bombardeio de pequenas rochas espaciais.

Gravando um alerta prático, a queda do segundo estágio também levanta questões sobre lixo espacial. Com quase 5 toneladas de massa, ao atingir a Lua com velocidade de 2.430 metros por segundo, o objeto deve liberar energia equivalente a cerca de 3 toneladas de dinamite e formar uma cratera de aproximadamente 30 metros. A observação poderá ocorrer mesmo com dificuldade, reforçando a necessidade de estratégias mais cuidadosas de descarte de veículos espaciais.

A previsão de observação indica que o impacto poderá ser visto em boa parte das Américas, da África e da Europa, representando uma oportunidade para astrônomos amadores e pesquisadores. O episódio também convida a refletir sobre a responsabilidade humana na exploração do espaço e na gestão das pegadas que deixamos em outros corpos celestes.

lixo espacial
Gráfico do lixo espacial nas proximidades da Terra. – Créditos: ESA

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

HIV: dois novos casos de cura são anunciados, chegando a 13 no mundo

Dois novos casos de cura do HIV são apresentados em conferência no Rio de Janeiro Dois novos casos de pessoas consideradas curadas ou em...

Rover da NASA encontra em Marte rochas de mais de 3,9 bilhões de anos

Pesquisadores identificaram evidências geológicas em Marte que remontam a mais de 3,9 bilhões de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera...

Brasil e Coreia do Sul fecham acordo por mais cooperação em minerais críticos

Brasil e Coreia do Sul assinaram, nesta segunda-feira, comunicados conjuntos para ampliar a cooperação bilateral na área de minerais críticos e estratégicos, conforme...