Resumo: A residência oficial do Brasil em Roma, administrada pelo Itamaraty, tem se tornado palco de visitas de artistas e autoridades ligadas à campanha de Lula na eleição de 2022. Mantida com recursos públicos, o prédio histórico no centro de Roma abriga encontros institucionais e ações de diplomacia cultural, com 68 hóspedes registrados e custos públicos estimados em pelo menos R$ 240,5 milhões em 2025.
Entre as hóspedes de destaque, a cantora Fafá de Belém ficou na residência de 18 a 22 de maio de 2024, acompanhada pelo multi-instrumentista André Mehmari. A atividade foi orçada em 45.122 euros, o equivalente a cerca de R$ 273,8 mil na cotação da época. Em 2022, Fafá já havia publicado apoio a Lula nas redes sociais.
Outra artista hospedada foi Monica Salmaso, em outubro de 2024, com dois músicos acompanhantes; o custo da atividade ficou em 7.650 euros, ou aproximadamente R$ 51,2 mil. A lista de hóspedes também inclui governantes e assessores que viajaram com recursos públicos para eventos promovidos pela Embaixada.
Entre as personalidades de alto escalão, estiveram a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso, o ex-ministro do STM Joseli Camelo, a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) e o ministro da AGU Jorge Messias, além de Gilberto Carvalho, que acompanhou Lula em eventos diplomáticos. O Itamaraty sustenta que a residência serve para promover o Brasil na Itália por meio de atividades institucionais, culturais, de promoção comercial, cooperação científica-tecnológica e diplomacia pública.
Ao responder ao pedido pela Lei de Acesso à Informação, o Itamaraty explicou o funcionamento da embaixada em Roma: a hospedagem de artistas ocorre como apoio institucional quando participam de iniciativas públicas, contribuindo para promover os interesses brasileiros. A coluna observou resistência inicial, mas a Controladoria-Geral da União decidiu liberar os dados no fim de maio, após recurso.
E você, qual a sua visão sobre o uso de recursos públicos para promoção cultural no exterior? Compartilhe nos comentários suas opiniões sobre diplomacia cultural e transparência na gestão de embaixadas.
