Ainda há juízes em Brasília?

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Resumo: a cada julgamento no STF, o desafio de separar poder, justiça e democracia surge com força. O texto nos convida a refletir sobre até onde as instituições podem resistir à pressão pública, lembrando histórias antigas que mostram como a arbitrariedade pode se travestir de justiça quando a opinião impede o devido processo.

Escultura A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, em frente ao STF

A história da justiça não começa no tribunal moderno. Em Potsdam, um moleiro enfrentou um dilema simbólico: ele disse que só cederia o moinho se não houvesse juízes em Berlim. A resposta do poder, ali, ficou marcada: o rei Frederico II não abriu mão do Palácio Sans-Souci e, dizem as crônicas, a lenda permaneceu como lembrança da tensão entre autoridade e direito. O episódio foi imortalizado em versos que atravessaram gerações, lembrando que justiça não se mede pela força, mas pela coragem de sustentar a lei diante da pressão.

No século XIX, o escritor italiano Alessandro Manzoni mergulha ainda mais fundo nessa reflexão. Em Storia della Colonna Infame, ele descreve o caso de dois homens acusados de espalhar a peste no milieu milanês durante a epidemia de 1630. Sem provas sólidas e movidos pela ignorância popular, juízes impiedosos condenaram os inocentes, usando tortura para forçar confissões. Ao final, a casa do barbeiro Mora foi derrubada e erguida a Coluna Infame, como aviso permanente do que ocorre quando a Justiça se curva ao medo coletivo.

A coluna acabou derrubada no século seguinte, mas a lição ficou: a crueldade de decisões rápidas, sem fundamentação sólida, mancha a história. Hoje, o debate sobre o papel do Judiciário em Brasília envolve esse mesmo equilíbrio entre responsabilidade institucional e proteção aos direitos individuais. A independência dos juízes e a observância do devido processo são instrumentos para evitar que a vontade da massa substitua a lei.

Navegar entre fiscalização, transparência e proteção dos direitos não é tarefa simples, mas é fundamental para que a democracia não se curve diante do pânico nem transforme julgar em espetáculo. Como você vê esse equilíbrio no cenário atual? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e contribua para essa conversa sobre justiça, poder e liberdade.

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