O Cinema Rio Branco, em Nazaré, sul da Bahia, celebrou nesta terça-feira (16) 26 anos desde a reinauguração ocorrida em 2000, após uma revitalização bancada pelo ex-jogador Vampeta com parte do cachê de R$ 80 mil recebido por posar nu para a extinta revista G Magazine. O espaço voltou a funcionar como patrimônio cultural da cidade, resgatado com fé na memória e no cinema local.
A história começa em 1998, quando o restaurador Uriel pediu ajuda para o telhado do cinema, e Vampeta descobriu que a Igreja Universal do Reino de Deus pretendia comprar o espaço. Decidido a preservar o patrimônio, ele assumiu a aquisição do imóvel, impedindo que fosse perdido para fins comerciais e abrindo caminho para a recuperação da joia histórica de Nazaré.
O ensaio publicado em janeiro de 1999 rendeu ao atleta cerca de R$ 100 mil, montante que se somou ao valor já disponível. Com R$ 80 mil oriundos do cachê, Vampeta comprou o imóvel, dando início a uma revitalização que totalizou quase R$ 500 mil ao longo de três anos, investidos também com seus salários de jogador.
Na festa de reinauguração, ACM elogiou publicamente a atitude do jogador e aproveitou para sugerir a instalação de um busto dele em frente ao prédio, destacando o papel dos “ricos” em investir em projetos comunitários. Vampeta explicou o propósito do gesto: devolver à comunidade um espaço que já pertence à cidade há décadas.
Fiz questão de convidar Antônio Carlos Magalhães porque sei que ele ama a Bahia, assim como eu amo Nazaré, disse Vampeta. Ao descerrar a placa comemorativa, participaram Ronaldo Fenômeno, ACM e o governador César Borges. Em seguida, os presentes assistiram ao curta-metragem “Rádio Gogó”, de 20 minutos, inspirado no futebol.
Desde a reinauguração, a administração do cinema ficou sob a responsabilidade das tias de Vampeta, Beta Alves e Edna, que mantêm o projeto vivo até hoje. O Rio Branco, fundado em 1927 e uma das casas de espetáculo em estilo art nouveau do Nordeste, segue como espaço dedicado a educação e cultura, recebendo principalmente alunos de escolas públicas, em continuidade às obras de preservação.
O cinema possui dois pavimentos, capacidade para 670 pessoas e atravessou períodos de desativação entre 1970 e 1990 por falta de investimentos e riscos estruturais. A última reforma foi em 2007, e hoje o espaço permanece como um marco histórico que aproxima a memória de um público jovem, reforçando a importância de preservar patrimônio que pertence à comunidade. E você, qual patrimônio local você gostaria de ver revitalizado com a participação de artistas e atletas?
