Resumo: novas informações apontam para um suposto esquema em que Henrique Vorcaro, controlador de empresas ligadas a planos de saúde, teria oferecido ao filho Daniel a possibilidade de adquirir ativos da família por apenas R$ 1, por meio de contratos de opção de compra. O objetivo, segundo o liquidante do Banco Master, seria manter bens em estruturas controladas por Daniel, com operação envolvendo pessoas ligadas ao grupo, o que alimenta acusações de uso de “laranjas” para ocultar operações.

De acordo com o processo, Henrique Vorcaro aparece como beneficiário efetivo de cerca de 80% das empresas Affiance Life e Simetria Planos. A acusação sustenta que ele abriu caminho para o filho adquirir participação indireta nos ativos por meio de uma forma de compra simbólica, condicionando a transferência à vontade do proprietário de fato — o que levantaria a hipótese de que o pai seria um “laranja”.
Entre os documentos encontrados, está uma minuta de contrato descoberta nos e-mails pessoais de Vorcaro, que reforça a narrativa de que Henrique compraria propriedades em nome de Daniel, utilizando intermediários, para então repassá-las ao filho, sempre pelo valor simbólico de R$ 1. O liquidante do Banco Master sustenta que tais transações não seriam eventos isolados, mas parte de um esquema para desviar ativos do banco para a esfera familiar.
A investigação aponta que, entre 2019 e 2020, o grupo utilizou a empresa Promed para obter créditos com o Master e com fundos sob controle do banco, somando pelo menos R$ 170 milhões em empréstimos que, segundo as apurações, não tinham intenção de quitá-los, servindo para capitalizar as empresas antes de serem vendidas a terceiros. Em uma dessas operações, Natalia Vorcaro teria devolvido 32% de suas cotas ao irmão, um mês antes da venda do grupo.
No âmbito de um processo nos Estados Unidos para recuperar bens em nome do pai e da irmã, incluindo uma mansão avaliada em US$ 32 milhões na Flórida, o liquidante sustenta que as transações não foram casuais, mas componentes de um esquema maior para ocultar ativos do Banco Master por meio de entidades sob controle da família Vorcaro. A defesa alega ser apenas uma disputa corporativa, enquanto o Ministério Público acompanha o desenrolar do caso.
Sobre o estado legal, os Vorcaro permanecem detidos; nesta terça-feira, o ministro Gilmar Mendes devolveu ao plenário da Segunda Turma do STF o pedido de soltura de Henrique Vorcaro, mantendo a controvérsia sobre o futuro deles enquanto as evidências são analisadas pela Justiça. O caso traz à tona questões sobre transparência societária, controle de ativos e possíveis conflitos de interesse em estruturas empresariais.
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