Resumo: a PF aponta Jaques Wagner como interlocutor relevante em temas ligados ao Banco Master, com mensagens capturadas no celular de Augusto Lima, reforçando a linha de investigações da nona fase da Operação Compliance Zero.
A PF detalha que Wagner, líder do governo no Senado, é alvo de apuração sobre atuação que pudesse favorecer o Master, com Augusto Lima atuando como canal de contato e repassando informações sobre rating, estrutura acionária, a PEC 65/2023 e a operação BRB/Master, entre outros. A autoridade observa um fluxo informacional que vai além de relações sociais.
No eixo Emenda Master, os investigadores apontam contato frequente entre Wagner e Lima desde a apresentação da matéria em 2024. A emenda, proposta pelo senador Ciro Nogueira, visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, benefício que a PF associa ao interesse do Master. Interceptações indicam envio de links da proposta ao parlamentar logo após a chamada.
A PF também registra atuação de Wagner na pauta do crédito consignado (Emenda nº 30 à MP 1.106/2022, convertida na Lei 14.431/2022) — ampliando margens para trabalhadores da CLT, aposentados e beneficiários de BPC —, associando o tema à tratativas com a BN Financeira e a Credcesta, plataforma criada a partir da privatização da Ebal na Bahia. A PF cita repasses de R$ 3,5 milhões entre empresas do entorno familiar de Wagner, além de menção a ingressos para um show de Taylor Swift em 2023 como parte de vantagens apontadas pela investigação.
Sobre a venda do Master ao BRB, a PF aponta que a negociação ganhou impulso em 2025, mas foi vetada pelo Banco Central. O relatório também relaciona o tema a contatos entre Augusto Lima e Wagner, com a frase atribuída a Lima de que Wagner “sabia mais que ninguém sobre minha história” — indicativo, para a PF, de papel ativo além de mero destinatário de informações. Wagner, no entanto, afirma ter apenas relações institucionais e nega irregularidades.
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