Polícia Federal deflagra operação Miragem contra o banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, visando apurar gestão fraudulenta, uso de dados contábeis falsos e operações de crédito vedadas. A investigação aponta crescimento expressivo dos CDBs, chegando a 8,5 bilhões em 2025, com remunerações de até 140% do CDI.
Segundo a PF, houve transferência de risco ao FGC como cobertura para fraudes, permitindo que a instituição captasse liquidez e ocultasse passivos, transferindo o risco para o sistema financeiro. A operação envolveu mandados de busca e apreensão, além de quebra de sigilos fiscais de 18 alvos e bloqueio de bens do bispo.
Entre 2017 e 2025, o saldo de CDBs do Digimais cresceu de aproximadamente R$ 694 milhões para 8,5 bilhões, impulsionado por remunerações acima da média de mercado. Em 2025, a faixa de captação passou a registrar custos acima de 115,7% do CDI, com algumas operações chegando a 140% do CDI, conforme levantamento da PF.
A documentação do Digimais ainda lista seis parceiras de captação: XP Investimentos, BTG Pactual, Nu Invest, Itaú Corretora, Inter e Ágora, revelando a rede de distribuição por trás da escalada da instituição.







Em síntese, a PF aponta que o Digimais operou com maior alavancagem e suspeita de fraude, com consequências para a integridade do sistema financeiro e para o investidor comum que participou de CDBs com remunerações tentadoras.
Os próximos passos da investigação devem esclarecer os vínculos entre a gestão da instituição, as plataformas de distribuição e o papel do FGC na cobertura de perdas. A defesa do banco, por sua vez, nega irregularidades e questiona a condução da operação.
Enquanto isso, o caso reacende o debate sobre transparência na captação de recursos e o papel das garantias estaduais na proteção de clientes diante de riscos embutidos em operações de crédito.
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