O Brasil apresentou aos Estados Unidos um “mapa do caminho” para evitar a aplicação de um novo tarifário de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta foi discutida em 2 de julho, numa rodada de negociações com o presidente Donald Trump, que está em seu segundo mandato nos EUA, e busca mostrar que áreas sob a Seção 301 não prejudicam o comércio americano, abrindo espaço para medidas que preservem o fluxo comercial entre os dois países.
No encontro, participaram o ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de comércio exterior dos EUA, Jamieson Greer, além de assessores de ambas as agendas governamentais. O governo brasileiro descreveu seis áreas de foco — comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal — propondo reforços de controle sem distorcer o comércio com os EUA.
O Pix aparece como ponto não negociável e não integra o documento enviado aos norte-americanos. Já as três áreas com potencial de negociação para reduzir tarifas são máquinas e equipamentos, saúde e tecnologia da informação, somando cerca de 300 linhas tarifárias, o que pode ampliar margens de manobra nas tratativas.
Apesar de o mapa ter sido bem recebido pela equipe de Washington, fontes brasileiras indicam que a alíquota de 25% tende a entrar em vigor. O ministro Rosa ressaltou que o tempo é curto: há até 15 de julho para que a gestão de Trump decida sobre a recomendação da Seção 301.
Esta foi a quarta reunião técnica entre as equipes. Em maio, Lula e Trump já tinham traçado um prazo de 30 dias para encontrar uma saída para as sanções da época, mas as conversas continuam. Ainda está prevista uma audiência pública nos EUA para o dia 6 de julho, com participação de empresários, entidades e figuras públicas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, que defenderão a manutenção das tarifas.
O governo brasileiro sustenta que as acusações dos EUA sobre o Pix, o desmatamento ilegal e as regras de propriedade intelectual não refletem a realidade do comércio entre os dois países. Argumenta que o ecossistema de pagamentos do Brasil é aberto a várias plataformas. Diante do prazo apertado, as autoridades buscam evitar que a gestão Trump descarte o diálogo e reforcem a necessidade de avanços, mantendo o canal de cooperação aberto. E você, qual o seu posicionamento sobre tarifas e comércio Brasil-EUA? Compartilhe sua opinião nos comentários.
