Resumo: na Bahia, a Operação Sintonia de Gravata revelou que dez advogados presos atuavam em facções criminosas, exercendo funções que vão desde mensageiro até gestor financeiro e operador logístico, ligando líderes detidos a membros em liberdade.
Segundo a denúncia obtida pelo Bahia Notícias, as condutas extrapolavam a assistência jurídica e envolviam gestão de armamentos, finanças, logística de drogas e transporte, com cargos que iam da contabilidade de facções ao deslocamento de cargas ilícitas.
Maria Mariana Batista de Oliveira (CV): atuou como intermediária do Comando Vermelho após a prisão de outro advogado. Levava recados sobre o acondicionamento de cocaína em pinos, mediação de conflitos entre lideranças e repassava ordens para aquisição de munições pesadas, como a Carabina Taurus.
Fernanda Oliveira Borges (TCP): atuando em prol do Terceiro Comando Puro, foi flagrada retirando cartas de dentro de suas roupas para o interno Marlos Araújo. Também transmitiu cobranças de dívidas sob ameaça de morte, recebeu ordens para adquirir metralhadoras e munições 9mm, e há indícios de transporte de entorpecentes para o grupo, além de gerenciar pagamentos para o preso Manoel Luiz, conhecido como Honda.
Joanderson Almeida dos Santos (BDM): assessor contábil e de gestão, apresentava extratos de receitas da venda de drogas para o traficante Leandro, conhecido como Leo Gringo. Coordenava a compra de veículos e imóveis para a facção e discutia estratégias de lavagem de dinheiro por meio de notas fiscais falsas.
Izabela da Silva de Oliveira (BDM): além de mensageira, acumulava a função de operadora financeira do Bonde do Maluco. Mantinha alto grau de intimidade com o líder e realizava transferências via Pix para comparsas, transmitindo informações sobre o tráfico na região da Barra para o CV.
Tamires Félix Alves da Silva (BDM): atuava como interlocutora entre núcleos da ORCRIM, prestando serviços para lideranças como “Colorido” e “Arco-Íris”. Leituras de resumos financeiros mensais (superando 116 mil) para o criminoso Décio Douglas e negociação de dívidas relacionadas ao fornecimento de cocaína.
Ícaro Cardoso Viana (BDM): utilizou sua credencial para viabilizar ordens estratégicas do preso Gledson Bonfim, incluindo instruções para que parentes buscassem pistolas. Também geria a prestação de contas do faturamento do tráfico e a reposição de estoques de maconha.
Raíza Araújo da Silva (CV): atuava a mando de uma liderança de alto status para prestar apoio pessoal e colher informações sobre a conjuntura das forças no sistema prisional do CV. Servia como canal para que presos em Regime Disciplinar Diferenciado solicitassem benefícios, como visitas íntimas, à cúpula da facção.
Luã Santos da Costa (BDM): usou prerrogativas para levar papéis com instruções sobre preços de remessas de drogas e também gerenciou armamentos, ficando responsável por pistolas deixadas com terceiros.
Luan Mascarenhas de Souza (CV): realizava “falsos atendimentos jurídicos” para Francileno de Jesus Nunes, entregando cartas e anotando comandos sobre a alocação de armas de fogo e a regularização de veículos usados pela facção.
Esses relatos evidenciam a extensão da infiltração de advogados em estruturas criminosas na Bahia, com funções que vão desde interlocutores até operadores financeiros, reforçando a necessidade de vigilância e responsabilização. E você, o que pensa sobre o uso indevido de prerrogativas jurídicas? Compartilhe sua opinião nos comentários.
