A Capela do Sagrado Coração de Jesus, no bairro de Nazaré, em Salvador, vive sob risco estrutural e tornou-se foco de ação pública. O Ministério Público do Estado da Bahia moveu uma Ação Civil Pública para proteger o patrimônio, enquanto a Defesa Civil monitora o imóvel desde 2012. Obras urgentes devem restabelecer a segurança do templo histórico.
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia afirma que o espaço não está sob sua gestão, reiterando que a responsabilidade legal pelo imóvel cabe ao Instituto Sagrado Coração de Jesus. A Defesa Civil (Codesal) informa que a situação estrutural é crítica e acompanha o caso há mais de uma década, registrando 18 vistorias e notificações em 2012, 2014, 2015, 2017, 2018, 2022 e 2025, com menções a risco de queda da cruz, desabamento do beiral e grave deterioração do telhado.
Para evitar novos riscos, a Defesa Civil interditou parte do estacionamento anexado à capela. O Ministério Público, por meio do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac) e da 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, buscou várias soluções junto ao instituto, mas não houve acordo formal até o momento. A atuação pública culminou numa Ação Civil Pública para eliminar a situação de risco e proteger o bem.
Em meio à cobrança pela reforma, o presidente do instituto, Políbio Lago, informou que já foi contratada a empresa responsável pela obra. Uma reunião, com o Compor (Núcleo de Autocomposição do MP-BA), está marcada para formalizar o planejamento e iniciar as obras perante o juiz. Segundo Lago, as etapas logísticas já começaram, incluindo a retirada de imagens antes da recuperação do telhado, tudo com transparência.
A Capela, inaugurada em 1º de março de 1891, foi erguida pela Irmã Tereza Lavallé e integra o complexo do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, cuja história remonta a 1820. Originalmente fundado pelo padre Francisco Gomes de Souza no Cabula como casa pia e colégio para órfãos, o espaço passou por reformas sob a gestão do governo da Bahia e, em 1857, transferiu-se para Nazaré, administrado pelas Irmãs Vicentinas até 1984. Hoje, o colégio é misto e de caráter filantrópico.
Com a expectativa de início das obras, moradores do bairro aguardam a proteção da capela e da área ao redor. O caso mistura história, patrimônio público e atuação da Justiça, destacando a importância de preservar esse bem cultural para a cidade.
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