MG: especialistas apontam irregularidade em doação de bens de palácio

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Belo Horizonte está no centro de um debate sobre o patrimônio público após o TCE-MG abrir apuração sobre o possível desaparecimento de parte do acervo do Palácio das Mangabeiras. Um documento registra a doação de 63 itens de mobiliário decorativo à Secretaria-Geral do Estado, sem detalhar quais bens foram transferidos, o que levanta dúvidas sobre a regularidade do processo.

Utensílios usados em recepções oficiais estão entre os itens desaparecidos do acervo do Palácio das Mangabeiras.
Utensílios usados em recepções oficiais estão entre os itens desaparecidos do acervo do Palácio das Mangabeiras.

O Palácio das Mangabeiras, que já foi residência oficial de governadores, passou a abrigar eventos públicos e privados desde 2019, sob a gestão do governo. No centro das atenções, a nota sobre a doação de 63 itens de mobiliário decorativo à Secretaria-Geral, sem especificar quais objetos teriam sido transferidos, alimenta questionamentos sobre a forma como o acervo tem sido gerido.

A deputada Bella Gonçalves acionou a Polícia Federal para investigar o destino do acervo. A oposição também encaminhou o caso ao TCE-MG. O governo sustenta que, com a mudança de uso do palácio, o acervo foi inventariado e redistribuído a órgãos estaduais, com todas as movimentações registradas nos sistemas de controle patrimonial.

Para o advogado Berlinque Cantelmo, a doação de 63 itens sem identificação dos bens é incompatível com as regras de gestão patrimonial, já que transferências de patrimônio público devem ser registradas e descritas individualmente. Ele aponta que a ausência de descrição dificulta o controle e pode violar princípios da legalidade, da publicidade e da motivação.

Cantelmo também ressalta que chamar o ato de “doação ao estado” é juridicamente estranho, pois os bens já faziam parte do estado. A falta de detalhamento aumenta a necessidade de identificação precisa de cada item para evitar irregularidades.

Isabella Damasceno, advogada especializada em direito público, concorda que a transferência de bens móveis entre órgãos exige avaliação, justificativa de interesse público e registro individualizado. Ela ressalta que apenas a falta de documentação não implica improbidade, mas pode indicar falhas formais que precisam ser apuradas. A obrigação é demonstrar eventual dolo para tipificar crime como peculato ou prevaricação.

Nesta terça-feira, o governo de Minas reiterou que todo o acervo permanece inventariado e com localização registrada nos sistemas oficiais. Segundo o estado, livros já integram a Biblioteca Pública Estadual, obras de arte ficam sob guarda do Palácio da Liberdade e do Museu Mineiro, e os demais bens continuam armazenados em instalações públicas, com critérios técnicos de conservação e segurança.

Diante do impasse, o governo afirma que continuará prestando esclarecimentos aos órgãos de fiscalização. E você, qual a sua leitura sobre a transparência na gestão do patrimônio público nesse tipo de situação? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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