Após cinco décadas, pinturas sacras roubadas voltam a igreja em Minas

Escrito por: Diógenes Cunha

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Minas Gerais

Obras atribuídas ao artista Joaquim José da Natividade foram furtadas na década de 1970 e devolvidas após atuação do Ministério Público

Minas Gerais – Duas pinturas sacras com cerca de 200 anos foram devolvidas ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, após décadas de sumiço. As obras, associadas ao mestre da pintura sacra mineira Joaquim José da Natividade, retornaram durante cerimônia promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na última quinta-feira, 16 de julho.

A recuperação começou em abril deste ano, quando o MP recebeu denúncia de que as telas estavam sendo vendidas por um antiquário em São Paulo. Análises técnicas conduzidas pela CPPC confirmaram que as obras tinham características compatíveis com parte do forro da Capela-Mor do Santuário de Santa Rita de Cássia.

Segundo o MPMG, as pinturas haviam sido retiradas do teto da igreja na década de 1970, separadas em dois quadros independentes e afinadas com molduras para facilitar a comercialização.

A detentora das peças aceitou, após recomendação do Ministério Público, aderir à Campanha Boa Fé e devolveu voluntariamente as obras à comunidade de Ritápolis.

A devolução emocionou moradores e fiéis. O pároco do santuário, Padre Geraldo Sérgio França, destacou que a cidade vivia há décadas com a lembrança da perda do patrimônio histórico, ressaltando que este retorno marca um momento significativo.

As telas devolvidas são atribuídas a Joaquim José da Natividade, um dos mais importantes pintores sacros do século XVIII e início do XIX, conhecido por decorar igrejas no Sul de Minas e na região do Campo das Vertentes.

Segundo o MP, as pinturas retratam Santo Agostinho e São Jerônimo, dois Doutores da Igreja, integrantes da composição original do teto da Capela-Mor. A obra evidencia o estilo característico de Natividade, com perspectiva ilusionista, cores vibrantes e detalhes ricos.

O Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia integra o conjunto histórico de Ritápolis, tombado pela prefeitura desde 2004. A Capela-Mor, construída por volta de 1713, representa um marco do patrimônio cultural da região, protegido e valorizado pela comunidade.

Em 2020, já havia sido realizada uma reprodução da pintura original com base em fotografias antigas e relatos locais, dada a ausência das obras. A recente devolução completa o ciclo histórico de recuperação do acervo religioso da região.

A história das telas reforça a importância de preservar o patrimônio cultural mineiro e o papel do Ministério Público na defesa de bens culturais de valor público. E você, o que acha da recuperação de obras históricas como essas para as comunidades?

Se quiser acompanhar novas atualizações sobre a devolução de peças históricas ou compartilhar sua memória relacionada a Ritápolis, deixe seu comentário abaixo.

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