
O Ministério Público da Bahia denunciou, nesta quarta-feira, seis agentes públicos—quatro policiais militares e dois policiais civis—pelas mortes de um guia de turismo e de um homem ligado a uma facção criminosa durante a Operação Travessia, em Caraíva (Porto Seguro), em 10 de maio de 2025. As denúncias apontam homicídio qualificado e fraude processual, com medidas cautelares pedidas para afastar os envolvidos de seus cargos.
Conforme o MP-BA, os policiais respondem por dois homicídios qualificados, com as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito. Além disso, os dois agentes civis são denunciados por fraude processual. A investigação aponta que as mortes ocorreram fora de situação de confronto e em contexto de vulnerabilidade das vítimas frente à atuação dos agentes.
Durante a apuração, o MP autorizou a exumação dos corpos de Vitor Cerqueira Santos Santana, 28 anos, e Davisson Sampaio dos Santos, o “Alongado”, para novos exames periciais. O corpo de Vitor foi retirado de Itabela, enquanto o de Davisson foi levado do cemitério de Pindorama, buscando esclarecer a dinâmica da operação e possíveis divergências em relação à versão apresentada pelos policiais.
A Operação Travessia teve como alvo a facção criminosa “Anjos da Morte”, apontada como responsável pelo tráfico de drogas na região de Caraíva. Davisson Sampaio era apontado pela polícia como integrante da facção e foragido da Justiça. Já a morte de Vitor Cerqueira, que atuava como guia de turismo, provocou protestos na região e um abaixo-assinado com milhares de assinaturas pedindo apuração do caso, com familiares defendendo que ele não tinha ligação com atividades criminosas e poderia ter sido confundido com outra pessoa.
Na época, o comandante do Comando de Policiamento da Região Extremo-Sul (CPR-ES) afirmou que a ação ocorreu dentro da legalidade e que, se houvesse desvio de conduta, os fatos seriam rigorosamente apurados. Segundo ele, Vitor acompanhava Davisson como segurança de um investigado; outro homem que o acompanhava também estava armado, mas se rendeu. O oficial destacou ainda tentativas de descredibilizar a atuação das forças de segurança para frear as operações, e reiterou que a corporação continuaria cumprindo os mandados judiciais.
A investigação continua em curso, com as autoridades avaliando a responsabilidade de policiais militares pela Auditoria Militar conforme o caso avança. A exumação dos corpos, as perícias adicionais e os desdobramentos judiciais devem esclarecer a condução da operação e o ônus de cada envolvido.
E você, o que acha dos desdobramentos desta denúncia e das investigações que continuam tramitando? Compartilhe sua leitura nos comentários e vamos debater os próximos passos deste caso envolvendo Operação Travessia e as ações das forças de segurança.
