Funcionários do Google, organizados pelo Alphabet Workers Union, entregaram uma petição à diretoria pedindo proteção trabalhista diante de demissões e do aumento dos investimentos em IA, em meio a cortes na tecnologia e a debates sobre o impacto da inteligência artificial no emprego.
Na última quinta-feira (16), a entrega aconteceu na sede da empresa, na Califórnia, com mais de 4.500 assinaturas reunidas. O documento foi encaminhado ao chief executive Sundar Pichai, representando uma demanda clara por regras que protejam os trabalhadores durante períodos de mudança tecnológica.
Entre as reivindicações estão pacotes de saída garantidos, a possibilidade de desligamento voluntário e licenças remuneradas mais longas, bem como uma avaliação de desempenho que não dependa apenas de metas numéricas. Os sindicatos defendem que as mudanças devem vir acompanhadas de garantias para quem fica.
Parul Koul, engenheira de software no Google e presidente do Alphabet Workers Union, afirmou durante a manifestação que a empresa vive um momento de valorização econômica, mas que as demissões não são “difíceis” por acaso, e sim uma priorização do lucro sobre as pessoas que fazem a empresa funcionar. “Essas demissões e cortes não são decisões difíceis, mas simplesmente o lucro sendo colocado acima das pessoas”, disse à imprensa.
Segundo os organizadores, a entrega chegou sem resposta imediata da liderança. Koul contou que as portas teriam se fechado e que o documento ficou com um membro da equipe de Pichai, que se comprometeu a encaminhá-lo ao executivo.
A mobilização ocorre em meio a críticas a demissões realizadas por empresas de tecnologia, enquanto o setor amplia investimentos em IA. O Google já reduziu equipes recentemente, sem confirmar se a IA foi o motivo direto das dispensas, movimento que também envolve outras companhias como Meta, Oracle, Block e Microsoft.
Meta passou a ser alvo de ações trabalhistas que afirmam uso de ferramentas de IA para selecionar quem seria incluído nos cortes, embora a empresa tenha negado as acusações. Já a Oracle indicou que a adoção de IA pode continuar a reduzir a força de trabalho; a Block citou eficiência como motivo; e a Microsoft anunciou cortes enquanto ampliava investimentos em IA.
O sindicato já havia conseguido pacotes voluntários de saída para mais de 70 mil trabalhadores, mas diz que várias demandas ainda não receberam resposta. Dan Freedman, engenheiro de software do Google ligado ao grupo, afirmou que a IA está alterando a prática profissional, e que ele mesmo teme pela permanência no cargo caso as exigências de trabalho associadas à tecnologia aumentem. “Eu preciso me perguntar se sou o próximo”, declarou durante a coletiva.
A mobilização reforça o debate sobre o papel da IA no futuro do trabalho e sobre como as grandes empresas equilibram lucro, inovação e proteção aos seus funcionários.
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