A Bahia ocupa o terceiro lugar entre os estados brasileiros na arrecadação de royalties da mineração, mas o retorno econômico para o estado ainda fica aquém dos líderes do ranking. Pesquisas e especialistas apontam que diversificar os minerais explorados e investir em dados estratégicos pode transformar esse cenário nos próximos anos, colocando a diversidade mineral como chave para o desenvolvimento.
Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), em 2025 Minas Gerais recebeu 3,57 bilhões de reais em CFEM, e o Pará teve 3,09 bilhões. A Bahia registrou 237,8 milhões de reais. O total de CFEM distribuído em 2025 alcançou 5.234 municípios, representando 94% das cidades brasileiras, o que mostra a abrangência do recurso, mesmo com diferenças de retorno entre estados.
Entre janeiro e julho de 2025, o ranking do Nordeste traz Jacobina (ouro) no topo, Itagibá (níquel) em segundo e Santaluz (ouro) em terceiro. Outras cidades baianas aparecem entre as dez maiores arrecadações, como Sento Sé (ferro) em sétimo e Barrocas (ouro) na oitava posição, evidenciando a diversidade mineral que sustenta o estado.
“Se compararmos Salvador com Belo Horizonte, cidades com perfis populacionais próximos, vemos que a economia mineira é fortemente influenciada pela mineração em serviços, enquanto a Bahia depende mais do turismo. A mineração, quando bem conduzida, pode impulsionar o crescimento tanto na capital quanto no interior”, enfatiza a especialista Maria Alagia, geóloga e Diretora de Negócios da Neogeo Geotecnologia. Ela ressalta que, para além de ganhos imediatos, é essencial preparar a população para o que vem pela frente, mantendo a indústria como motor, sem depender apenas dela.
Maisa Abram, geóloga e chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), observa que o ferro continua sendo a principal commodity, mas o Brasil já aponta diversificação. O peso do ferro caiu de 75% em 2024 para 69% em 2025, abrindo espaço para outras riquezas. Nesse contexto, a CBPM — Companhia Baiana de Pesquisa Mineral — e o SGB atuam para gerar dados pré-competitivos que atraem novos investimentos, fortalecendo a atratividade da Bahia mesmo sem grandes depósitos de ferro comparáveis aos grandes polos nacionais.
Williame Cocentino, diretor técnico da CBPM, destaca a diversidade mineral da Bahia: não há grandes depósitos de ferro comparáveis aos de Minas Gerais ou ao Pará, mas a Bahia se destaca pela variedade — há a única mina de urânio em operação no Brasil, além de vanádio, níquel sulfetado, cromo e cobre no Vale do Curaçá. Essa diversidade é o que mantém a Bahia em terceiro lugar no cenário mineral nacional, mostrando que qualidade de oportunidades pode compensar quantidade.
O projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da mão” foi lançado pelo Bahia Notícias, patrocinado pela CBPM, para traduzir a importância da pesquisa mineral para o desenvolvimento e atrair investimentos. Em formato de podcast, o projeto reúne especialistas para debater o cenário baiano e está disponível no canal do Bahia Notícias no YouTube, com episódios como “Terras raras não são terras nem raras” e “O mundo invisível dos minerais que movem a sua rotina.”
E você, qual é a sua visão sobre o papel da mineração no desenvolvimento da Bahia? Compartilhe seus comentários e opiniões para enriquecer esse debate fundamental para o estado.
