Prefeito investigado na Overclean é notificado pelo TCM por superfaturamento de honorários advocatícios

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) notificou o prefeito de Riacho de Santana, João Vitor Martins Laranjeira (PSD), para a interrupção imediata de pagamentos de honorários ao Monteiro e Monteiro Advogados Associados. A decisão, embasada em investigações apresentadas no processo publicado no Diário Oficial do TCM-BA, aponta que a prefeitura contratou o escritório em 2025 para atuar em 3 causas consideradas avançadas ou praticamente ganhas, com remuneração prevista entre 15% e 20% do valor, o que somaria aproximadamente R$ 18 milhões, gerando um prejuízo estimado de R$ 12 milhões aos cofres públicos.

O TCM-BA também aponta que, nos contratos 005 e 009, o escritório apenas acompanhou a fase de execução de títulos judiciais já obtidos pelo Ministério Público Federal, e o valor pago remunerou a equipe como se tivesse conduzido o processo desde o início, o que o parecer do relator Paulo Rangel descreve como irrazoável.

A liminar proíbe a prefeitura de qualquer movimento financeiro relativo à remuneração desses advogados até que o mérito seja julgado pelo Pleno do TCM-BA. Além de eventual multa, há a possibilidade de representação ao Ministério Público Estadual por ilícitos administrativos caso não haja cumprimento das determinações. A notificação estabelece que 20 dias corridos serão concedidos para a apresentação de defesas por parte da prefeitura e do escritório.

Quem é ele? O político do PSD era vice-prefeito quando assumiu a chefia do Executivo em abril de 2024, após a renúncia do então gestor Tito Eugênio (Podemos). Em outubro daquele ano, João Vitor concorreu às eleições municipais com Tito Eugênio como vice e foi eleito para o mandato atual. O prefeito também esteve afastado por 109 dias na oitava fase da Operação Overclean, que apura desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares. Ele é apontado, nas investigações, como sócio do deputado federal Dal Barreto (União Brasil), outro alvo da operação na Bahia.

Os envolvidos têm prazo de 20 dias para apresentar defesas, contados a partir da data da notificação, conforme apurado no processo. A reportagem acompanha os desdobramentos desse caso, que envolve medidas de controle de gastos públicos e investigações sobre possíveis irregularidades em contratos com escritório de advocacia.

Convidamos o leitor a participar da discussão nos comentários sobre o tema.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Investigação aponta ligação de PM e estudante de direito presos com facção criminosa

O soldado da polícia militar e o estudante direito presos com quase 120 quilos de drogas são suspeitos de integrar uma facção crimimosa, informou...

Bahia tem metade dos 10 municípios com maior índice de mortes violentas do país; veja lista 

A Bahia tem cinco cidades incluídas no ranking nacional de índices de mortes violentas intencionais (MVI). O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (23) no Anuário...

PF cumpre três mandados de busca e apreensão em operação contra desvios na educação em Serrinha

Palavras-chave: Polícia Federal, Serrinha, Operação Robótica, desvio de recursos, educação, FUNDEF, FUNDEB, licitações, superfaturamento A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão,...