Tornar a rede elétrica mais resiliente a ventos fortes — como os registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro na última quarta-feira, 29 de julho de 2026 — é viável, mas envolve custos elevados que devem ser arcados pelas concessionárias de energia. A avaliação é do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Fiação subterrânea e poda das árvores na hora certa estão entre as medidas necessárias para que o fornecimento de energia seja menos vulnerável.
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Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil
Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco, ressaltou o professor da Coppe/UFRJ, ao observar que, na prática, muitos investimentos ficam pela metade ou não são executados com a regularidade necessária.
Watanabe, que mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, explica que, em áreas com fiação aérea, como a de sua rua, a rede fica mais exposta a quedas de árvores e intempéries — em contraste com bairros que já possuem instalações subterrâneas, geralmente menos afetados por falhas operacionais.
Quem recebe energia por linha aérea tem mais problemas — essa é a síntese do especialista. Ele acrescenta que, além dos custos de instalação serem maiores para a rede subterrânea, a manutenção tende a ser igualmente mais onerosa.
O custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, embora proporcionem maior qualidade e maior proteção ao vento, segundo o especialista. A responsabilidade por esses encargos, afirma, recai sobre as concessionárias.
“Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente viu, vai ser ainda pior”, resumiu o pesquisador, enfatizando a necessidade de intervenções contínuas e planejadas.
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Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil
Planos de contingência — para Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, o risco de interrupção no fornecimento, por si só, não justifica mudar toda a rede aérea para subterrânea. “É uma decisão estética, urbanística, mas não pesa muito no caso de falta de luz”, argumenta.
Torres ressalta que a construção subterrânea envolve um investimento elevado e pode tornar-se economicamente inviável, além de apresentar riscos em casos de inundações e furtos. Ele destaca a necessidade de planos de contingência que exponham, de forma prática, quais ações devem ser tomadas diante de diferentes ameaças.
Instituições de diferentes naturezas precisam se organizar para diferentes cenários climáticos, incluindo tornados, inundações e ataques cibernéticos, para evitar falhas graves na operação de serviços essenciais, afirma o pesquisador.
Para Torres, as concessionárias devem dedicar recursos e treinamento para emergências, com planos internos de comunicação com clientes, tudo já prevendo um possível aumento de eventos climáticos, principalmente com a perspectiva de um El Niño especialmente forte.
“Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação de até um metro ou dois de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?”
O segundo passo é mapear as vulnerabilidades operacionais para que sejam tomadas medidas de prevenção, reduzindo o risco de interrupções. Torres frisa que as instituições não podem esperar pela ocorrência de um evento adverso para agir — é preciso planejamento, orçamento e equipe treinada para procedimentos emergenciais e para comunicar de forma clara clientes e usuários dos serviços.
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Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil
Sem previsão de retorno — moradores declararam que, mesmo após o vendaval, equipes das concessionárias continuam trabalhando, mas não há estimativa de quando a energia voltará a todas as comunidades. Em Vila Isabel, Ana Paula Brito relatou ficar sem luz desde ontem, às 17h, e já protocolou diversas solicitações com a operadora Light, que informou estar com técnicos no local, porém sem prazo para normalização.
“Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando e os alimentos estão vencendo, sem previsão de retorno”, desabafou Ana Paula. Em Santa Teresa, no centro da cidade, o designer Rico Vilarouca também espera pela retomada da energia e da internet residencial, condição que se repete com chuvas fortes e ventos frequentes no bairro.
As concessionárias Light e Enel, atuantes na região, afirmaram estar com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento, mas milhares de residências e estabelecimentos continuavam sem energia na quinta-feira.
PALAVRAS-CHAVE: ventos fortes, energia, rede elétrica, subterrânea, planos de contingência, El Niño, concessionárias, Rio de Janeiro, infraestrutura
META DESCRIÇÃO: Especialistas discutem custos e estratégias para tornar a rede elétrica mais resiliente diante ventos fortes, destacando subterrânea versus aérea e planos de contingência.
