Irã inclui emissoras cristãs entre organizações hostis

Escrito por: Diógenes Cunha

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Irã divulga lista de organizações e indivíduos considerados hostis ao regime, segundo o Ministério da Inteligência.

Emissoras cristãs e veículos de mídia persa integram a relação, que também cita personalidades da oposição.

Mais de 300 nomes aparecem; cinco cristãos já foram condenados, somando mais de 40 anos de prisão.

O Irã ocupa a 10ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas.

Irã: o Ministério da Inteligência divulgou uma relação que aponta entidades e indivíduos considerados hostis ao governo. A divulgação, segundo autoridades, visa coibir o que classificam como propaganda oposicionista e atividades que possam minar o regime.

Emissoras e veículos de mídia persa integram a lista, entre eles redes cristãs como SAT-7, Nejat, Seven e Mohabat TV. Também aparecem veículos de língua persa, como BBC Persian e Iran International, além de canais no YouTube e contas em plataformas sociais.

Entre os nomes associados à oposição, destacam-se figuras como Hananya Naftali, Reza Pahlavi, Masih Alinejad e Shirin Ebadi, segundo o documento.

A pasta informou que qualquer cooperação com os listados — como o envio de fotos ou vídeos — pode resultar em processo judicial sob a nova lei de espionagem, implementada após o conflito de 12 dias com Israel em 2025.

Pelo menos cinco cristãos já foram condenados sob essa lei, com sentenças que somam mais de 40 anos de prisão, de acordo com o Ministério da Inteligência.

As acusações afirmam que os condenados seriam “mercenários do Mossad” treinados no exterior por igrejas nos Estados Unidos e em Israel, atuando “sob o disfarce do movimento sionista cristão” de evangelização, conforme o documento.

Entenda o conceito de “hostil” na visão oficial: segundo Fred Petrossian, do Article 18, o termo se aplica a indivíduos ou instituições considerados adversos ao regime, e o alcance pode variar desde críticas midiáticas até divulgação de propaganda contra o governo, sem limites claros na prática.

Transmitir o evangelho é o foco de boa parte da comunidade cristã no exterior: nos últimos 40 anos, o regime tem fechado igrejas e proibido evangelismo dentro do Irã, levando organizações cristãs persas no exterior a veicular estudos bíblicos, pregações e conteúdos evangélicos para o público iraniano.

Segundo Fred Petrossian, redes cristãs persas baseadas fora do país têm preenchido parte do vazio deixado pela repressão interna às atividades religiosas.

Ações específicas incluem a SAT-7, que transmite programas cristãos, inclusive a série The Chosen, via satélite para o Irã, contornando parte da censura imposta pelo governo.

Contexto religioso: o Irã é majoritariamente muçulmano, e o governo islâmico restringe igrejas, Bíblias e evangelismo. Lideranças e convertidos que abandonam o Islã enfrentam prisão e até tortura, visto que a renúncia ao islamismo é proibida pela Sharia.

Apesar da perseguição, autoridades apontam que a igreja clandestina continua a crescer no país, segundo o relatório do Article 18.

O Irã figura na 10ª posição da World Watch List 2026 da Portas Abertas, que lista os países onde a perseguição religiosa é mais intensa.

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