Brasília – O presidente Lula exigiu explicações de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, sobre um empréstimo obtido com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de seu filho Lulinha e alvo de investigações da Polícia Federal.
Marcola, que deixou a chefia de gabinete há duas semanas para atuar na equipe de campanha do PT, afirmou que o empréstimo foi uma operação pessoal, já quitada, e que não houve ilegalidade.
Ainda segundo relatos, Lula soube do empréstimo dias antes de o caso vir à tona, mas não antes de escalá-lo para a equipe de campanha. Outros aliados do presidente ficaram surpresos, duvidando que o chefe tenha conhecimento prévio sobre a operação.
A notícia, divulgada na segunda-feira (3), segundo o site Poder360, irritou aliados em meio ao período eleitoral. A avaliação no Palácio do Planalto é de que Marcola cometeu um erro, e não um crime.
Marcola teria dito possuir registros de pagamento para comprovar que o dinheiro destinou-se ao pagamento de tratamento de saúde do seu filho. Ainda não há confirmação sobre a data exata da transação, mas integrantes do Planalto acreditam que tenha ocorrido em 2023.
O presidente ordenou que o assessor explicasse a operação. Marcola busca constituir um advogado antes de voltar a falar publicamente sobre o tema. Lula tem reiterado que tudo precisa ser apurado e que deseja ser julgado pelo próprio governo nesta eleição, para que o eleitor possa decidir com base nos atos do governo, não apenas nas ações de pessoas próximas.
Relação entre Lula e Marcola
Quando Lula venceu as eleições de 2022, Marcola já o assessorava há quase sete anos. No governo, o petista o manteve como chefe de gabinete, principal responsável pela agenda presidencial e pela interlocução com políticos que buscam falar com o chefe do governo.
Além disso, Marcola era visto como um dos principais contatos de pessoas que desejavam falar com o presidente. Segundo apuração, Lula não utiliza telefone celular; quem precisa falar com ele liga para Marcola ou para outros próximos do grupo próximo.
Quem é Roberta Luchsinger?
A empresária Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luís, um dos filhos de Lula, conhecido no meio político como Lulinha, embora esse apelido não seja utilizado nos círculos petistas.
Em nota, a defesa do filho de Lula afirmou que a PF instaurou três inquéritos diferentes por suspeitas de tráfico de influência, com “absoluta tranquilidade” e que ele irá comprovar sua inocência. A equipe disse ainda ter pedido aos órgãos competentes que apurem o caso.
Resumo jornalístico — Brasil: a Polícia Federal investiga um esquema de fraudes no INSS que, entre 2019 e 2024, teria descontado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários. O operador central é apontado na apuração como o “Careca do INSS“. Defesas citam Fábio Luís e Roberta, e destacam confiança na condução do ministro Flávio Dino e na imparcialidade da PF.
Brasil — A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias do INSS, com a alegação de que mais de R$ 6 bilhões teriam sido desviados de beneficiários entre 2019 e 2024, segundo as apurações. O operador central é citado na investigação como o “Careca do INSS“, segundo a PF.
Segundo a PF, a apuração descreve ações ligadas ao esquema, incluindo operações envolvendo pagamentos entre empresas, conforme registrado nas investigações, com o objetivo de descrever a magnitude do desvio entre 2019 e 2024.
Os advogados de Fábio Luís afirmam ter recebido com total tranquilidade a instauração de novos inquéritos. Eles garantem que o jurista aproveitará todas as oportunidades para esclarecer dúvidas sobre as atividades pessoais e profissionais dele, e sustentam que ele não tem relação com irregularidades, assim como ocorreu em apurações anteriores sobre fraudes do INSS, cuja conclusão de arquivamento esperam.
Em relação ao terceiro inquérito, outra passagem afirma: “Temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino, jurista que admiramos e respeitamos”, referindo-se ao desfecho que, segundo as defesas, ocorreu com Dino (os dois primeiros teriam sido autorizados por André Mendonça).
As defesas também acusam instrumentalização de setores da Polícia Federal para atender a interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e da legalidade que deveriam reger os procedimentos criminais, conforme afirmado nos posicionamentos apresentados.
A investigação aponta que o esquema teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS entre 2019 e 2024. O operador central, chamado na apuração de “Careca do INSS“, é apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes. Em dezembro, Roberta foi alvo de buscas; a PF informou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para a empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
