Resumo
Argentina não adotará medidas em resposta à redução das relações diplomáticas com o Brasil, segundo o chanceler Pablo Quirno. Itamaraty afirma manter o embaixador brasileiro em Buenos Aires em território brasileiro; Brasil não configura expulsão formal. A crise se agrava com ataques de Milei a Lula e acenos políticos durante a Copa do Mundo.
O governo argentino-classifica a decisão brasileira como unilateral; diplomatas brasileiros sinalizam que Raimondi não permanecerá no Brasil. Evento desencadeador envolve declarações de Milei em apoio a Bolsonaro em SP.
Palavras-chave: Brasil, Argentina, diplomacia, Itamaraty, Milei, Lula, crise diplomática, Copa do Mundo.
Argentina afirmou que não adotará nenhuma medida em resposta à redução das relações diplomáticas com o Brasil, conforme declaração do chanceler Pablo Quirno durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5).
No mesmo desdobramento, o Itamaraty informou que manterá o embaixador brasileiro em Buenos Aires em território brasileiro, enquanto o presidente argentino, Javier Milei, mantém ataques ao Brasil. A posição foi anunciada na terça-feira (4) e reflete a tensão entre os dois governos.
Em nota, a chancelaria argentina afirmou ter recebido a decisão brasileira como unilateral e acusou o Brasil de se isolar do restante da região por questões puramente ideológicas, segundo o veículo oficial argentino citado na comunicação.
Do lado brasileiro, diplomatas indicaram que o embaixador Daniel Raimondi não deve permanecer no Brasil em função da rebaixação das relações, mas ressaltaram que a medida não configura expulsão formal do diplomata. A leitura interna permanece de contenção, até novas instruções.
A crise entre Brasil e Argentina ganhou contornos após Milei marcar presença na convenção nacional do PL, em São Paulo, em 25 de julho, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Durante o encontro, Milei chamou Lula de “presidiário”.
No dia seguinte, Milei concedeu entrevista à rádio argentina e afirmou que o Brasil liderou uma campanha anti-Argentina durante a Copa do Mundo. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para expressar o descontentamento do governo brasileiro e, simultaneamente, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.
Em nota, o governo classificou o episódio como apenas “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira descreveu o caso como grave, mas descartou medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos, naquele momento.
