Polícia do DF investiga suspeitos de planejar explosão no Planalto

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Brasília é palco de uma operação que revelou um grupo com planos de atentados contra políticos e prédios públicos, articulados pela internet. A investigação envolve a Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o programa Fantástico. Comunicações no Telegram indicaram preparo de explosivos, discurso de ódio e possível invasão a espaços oficiais, com mandados de busca em oito cidades de cinco estados.

Brasília – Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF), com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e divulgação pelo programa Fantástico, revelou um grupo que planejava atentados contra políticos e prédios públicos na capital federal. Uma das mensagens chegou a sugerir explorar o debate entre membros do 2º turno, conforme apurado pela reportagem.

As comunicações ocorriam em dois grupos do aplicativo Telegram. Dados monitorados pelo MJSP apontam que os suspeitos não se conheciam pessoalmente, mas discutiam a fabricação de explosivos e disseminavam discurso de ódio pela rede.

Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, concluiu que o conteúdo compartilhado apresentava elevado grau de periculosidade, com planejamento de atos violentos mediante uso de artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

O acesso aos grupos era restrito, exigindo links específicos ou buscas por nomes exatos. O recrutamento começava por um grupo maior, com mais de 600 integrantes, e quem se radicalizava era convidado para um grupo mais restrito, com 46 pessoas, onde supostamente se organizava o ataque.

Nesse ciclo restrito, os suspeitos compartilhavam manuais de construção de explosivos, coquetéis Molotov e o desenvolvimento de artefatos explosivos. Eles também calculavam quantidades e custos dos ataques, e um dos usuários utilizava a foto de Hitler como imagem de perfil.

O monitoramento revelou que as condutas não eram inofensivas. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que tais condutas não podem ser normalizadas, citando inclusive a possibilidade de invasões a espaços como o Palácio do Planalto para demonstrar rotas de acesso.

O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília. Os investigadores costumam identificar quem está por trás de perfis anônimos — em geral, jovens homens que produzem e disseminam conteúdo racista, misógino e homofóbico. Em 2026, o laboratório já produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.

Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. A investigação segue com a análise de computadores e celulares apreendidos.

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