Resumo: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, critica a pressão de instituições não bancárias para usar o FGC na captação de varejo. O comentário ocorreu durante a celebração dos 30 anos do FGC, em São Paulo. O fundo protege depósitos e investimentos, com regras de cobertura e aporte de instituições associadas. Exposição sobre o FGC fica no Prédio das Moedas até 30 de setembro.
Capital paulista — O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para utilizar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo, durante a celebração dos 30 anos do fundo.


Crédito: Agência Brasil
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Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuar como bancos, usando as garantias do FGC, mas não apresentam ativos suficientes para sustentar esse tipo de operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sequência de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, ao buscar papéis semelhantes aos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos mais longos e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empreista e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro”, afirmou, destacando que o FGC atua como elemento essencial para conter corridas e manter a estabilidade do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração dos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e conferir estabilidade ao sistema financeiro com a implementação do Plano Real. O fundo tem contribuído para esse objetivo desde então.
O FGC teve papel importante durante o Plano Real e a crise global de 2008, oferecendo segurança aos correntistas. Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas por fraudes do Banco Master, em aproximadamente R$ 40,6 bilhões, cobrindo garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Em resposta ao impacto do Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% nas contribuições adicionais das instituições integrantes.
Quando uma instituição quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, com um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF/CNPJ em quatro anos. A finalidade é elevar a segurança dos investidores e manter a confiança no sistema financeiro.
O evento também abriu a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que fica até 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro de São Paulo, apresentando as origens e mudanças do fundo ao longo de três décadas.
Fonte: Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.

