Presidente da CNI: corte do BC foi tímido e não alivia empresas e famílias

Publicado por Diógenes Cunha
Resumo: Copom reduz a Selic pela quinta vez consecutiva, de 14% para 13,75% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (16). Ricardo Alban, presidente da CNI, aponta continuidade do ciclo de cortes e alerta para a necessidade de evitar custo adicional ao crédito. Inflação em desaceleração, melhoria de expectativas e dados de crédito e endividamento são citados como contexto. Palavras-chave: Selic, Copom, Banco Central, CNI, Ricardo Alban, inflação, crédito, endividamento.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter o ciclo de reduções da Selic, promovendo o quinto corte seguido na taxa básica de juros. A redução ocorreu em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14% para 13,75% ao ano, conforme anúncio feito nesta quarta-feira (16).

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que é essencial que o BC dê continuidade ao ciclo de queda da Selic. “Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, disse Alban.

Para o presidente da CNI, o excesso de prudência do Banco Central ficou evidente diante da inflação. Segundo Alban, há trajetória consistente de desaceleração dos preços, com 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, além de melhoria das expectativas de mercado, o que indica convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano.

O patamar elevado da Selic também continua se traduzindo no custo do crédito. Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano, alta de 1,8 ponto percentual em 12 meses. O impacto foi mais acentuado entre pessoas físicas, com taxas em torno de 60% ao ano, mas também afetou empresas, com juros médios de 25,4% ao ano.

A visão da CNI, segundo o próprio comunicado, é de que o aperto monetário vem elevando o custo da dívida para famílias e empresas. A inadimplência atingiu 7,8% entre pessoas físicas e 4,2% entre pessoas jurídicas. O endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda em junho, próximo do recorde histórico de 49,9%, e o comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou 28,9%, também o maior da série. Esses indicadores refletem o peso elevado do crédito na economia real.

Os próximos passos da política monetária ficam em radar, com o mercado avaliando se haverá novos cortes ou maior cautela, sempre balanceando inflação, crescimento e acesso ao crédito para famílias e empresas.

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