Nova Lima, Minas Gerais — Em 10 de agosto, durante debate na Faculdade Milton Campos, o candidato ao Senado pelo Novo, Marco Antônio, conhecido como “Superman”, afirmou que a tipificação de feminicídio deveria ser retirada do Código Penal brasileiro, repetindo por três vezes que “não existe feminicídio”. Ele desafiou estudantes com uma proposta de recompensa financeira, afirmando ter R$ 1 milhão guardados e dizendo que pagaria via Pix quem explicasse a razão da inclusão da definição no código.
O comparecimento também chamou a atenção por contextualizar o candidato como paulista de nascimento, que nunca disputou cargo eletivo antes, sem ser confrontado pela plateia com números oficiais de feminicídio em Minas Gerais durante o encontro, conforme relatos de quem presenciou o debate.
Em Minas Gerais, o feminicídio representou parte relevante das mortes violentes de mulheres: foram 177 casos em 2025, ante 169 registrados em 2024. O estado figura entre as unidades da Federação com o maior número absoluto de ocorrências, ficando atrás apenas de São Paulo.
No cenário nacional, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta 1.571 feminicídios em 2025. No estado, a Polícia aponta que 57,8% das mortes violentas de mulheres nesse período foram classificadas como feminicídio, conforme definição prevista no artigo 121-A do Código Penal.
Mesmo diante das declarações polêmicas, o candidato “Superman” segue na sexta posição na corrida ao Senado em Minas Gerais. A última pesquisa da Quaest, divulgada recentemente, indicou apenas 2% de intenções de voto no estado.
