Resumo: Argentina, sob Milei, registrou o fechamento de 31,3 mil empresas (6,1% do total) e o encerramento de 245 mil empregos formais em 31 meses. Do total de 18 setores, 14 recuaram; Neuquén foi a exceção. A inflação caiu, mas o desemprego subiu. Dados são da Fundar/Cepa e divulgados pela Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal.
Entre novembro de 2023 e junho de 2026, o período analisado, a economia argentina passou por retrações setoriais e impactos no mercado de trabalho, com quedas acentuadas na indústria de equipamentos eletrônicos e médicos (—19,1% em 12 meses).
Inflação caiu de 289% (abril/2024) para 33,5% (12 meses até ago/2026), enquanto o desemprego subiu para 7,9% da população economicamente ativa no 1º semestre de 2026, segundo o Indec. Autônomos cresceram 8,3% no período, ajudando a compensar parte das perdas.
Palavras-chave: Argentina, Milei, fechamento de empresas, desemprego, inflação, Fundar, Cepa, Indec, Agência Brasil.
Argentina, sob o comando do presidente Javier Milei, registrou o fechamento de cerca de 31,3 mil empresas, o que corresponde a 6,1% do total, além do encerramento de 245 mil postos formais de trabalho em 31 meses, conforme o Monitor Mensal de Empresas da Fundar. Os dados abrangem o período de novembro de 2023 a junho de 2026, e foram divulgados pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
Entre os 18 setores pesquisados, 14 registraram queda, prejudicando 23 das 24 províncias. A única exceção foi a província de Neuquén, onde a exploração de gás natural de Vaca Muerta ajudou a sustentar as exportações argentinas.
A indústria do país também apresentou retração no acumulado de 12 meses, com queda de 2,6%, sendo mais acentuada na indústria de equipamentos eletrônicos e médicos, que recuou 19,1%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).
No último mês, 709 companhias fecharam as portas, incluindo referências com mais de décadas de atuação, como a Din S.A. (Grupo Govan) no setor de metalurgia, e a Clan Issime, têxtil. A Fundar acrescenta que a Clan Issime, em seu auge, contava com 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados; no momento do fechamento, restavam apenas 9 trabalhadores.
No campo do emprego, o levantamento da Cepa aponta que, entre novembro de 2023 e junho de 2024, houve a perda de 245,6 mil empregos privados registrados, uma queda de 3,9% do total. Em contrapartida, foram criados 169 mil empregos autônomos, aumento de 8,3%, o que ajudou a compensar parte das perdas. O Indec indica que a taxa de desemprego subiu para 7,9% da população economicamente ativa no 1º semestre de 2026, frente ao mesmo período de 2025.
Em relação à inflação, o cenário mostra volatilidade: a inflação caiu de 289% em abril de 2024 para 33,5% em agosto, nos últimos 12 meses. O professor Paulo Gala, da FGV-SP, afirmou à Agência Brasil que essa estabilidade é frágil e resultado de cortes de gastos públicos, empréstimos com o FMI e de uma moeda sobrevalorizada, mas adverte que o equilíbrio atual não é sustentável a longo prazo.
Nota: As informações são provenientes da Agência Brasil, com base em dados da Fundar e Cepa, divulgadas pelo PrimeiroJornal.

Resumo: Argentina, no final de agosto, Milei rebate críticas à economia durante conferência. The Economist publica editorial crítico citando a dívida externa de US$ 350 bilhões. PIB deve crescer 4,4% em 2025 após queda de 1,3% em 2024; desemprego não dispara conforme o governo. Principais temas: exportações, consumo privado e inflação.
Argentina, no final de agosto, viu o presidente Javier Milei rebater críticas sobre o desempenho econômico durante uma conferência sobre o tema. A discussão ganhou contornos com a publicação de um editorial da The Economist, que aponta fragilidades na gestão econômica e cita a dívida externa de US$ 350 bilhões como indicativo da vulnerabilidade do principal parceiro comercial do Brasil na região.
The Economist
A agenda econômica defendida pelo governo de Milei tem recebido apoio de setores do mercado financeiro e da mídia especializada, que defendem uma linha liberal, com desregulamentação trabalhista, corte de gastos e abertura comercial. Ainda assim, a The Economist, mesmo diante de publicações que apoiam a agenda, alerta para problemas na gestão econômica.
“Os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”, destacou a revista, acrescentando que “Milei se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento”.
Governo Milei
Em discurso durante uma conferência sobre economia, no final de agosto, o presidente Javier Milei rebateu as avaliações negativas sobre o desempenho econômico do país. Ele destacou que são positivos os índices de exportações, consumo privado, inflação e PIB, que, segundo ele, cresceu 4,4% em 2025, após uma retração de 1,3% em 2024.
“Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando, e o desemprego não está disparando”, justificou Milei.
Milei também criticou empresários que dependem do Estado. “Queremos ser grandes? Precisamos amadurecer, e esses capitalistas de compadrio precisam falir”, disse o presidente durante a fala.

