Resumo: Dados da PNAD Contínua 2025, do IBGE, indicam que o Brasil tem cerca de 405 mil motociclistas de apps, com apenas 79 mil (19,4%) cobertos pela previdência. Entre 2024 e 2025 houve alta de 15,4% nesse contingente, que cresceu de 211 mil em 2022 para 405 mil em 2025. O estudo aponta ainda 905 mil motoristas de apps em 2025, com rendimento mensal médio de R$ 2.221 e jornada de 44,9 horas semanais; o ganho por hora foi de R$ 11,4, ante R$ 10,1 para não plataformizados. Em 2023 não houve coleta de dados; a série é experimental, em avaliação.
Segundo informações divulgadas pelo IBGE, a PNAD Contínua 2025 traz dados sobre trabalhadores por plataformas digitais, com destaque para motociclistas de aplicativos, cuja participação cresce no país. O estudo aponta que, no conjunto, o contingente de pessoas que atuam como condutores de apps subiu de 211 mil em 2022 para 405 mil em 2025, demonstrando uma expansão significativa nesse segmento.
Sobre cobertura previdenciária, apenas 79 mil desses trabalhadores possuem algum tipo de benefício, o que representa 19,4% do total. O relatório destaca a vulnerabilidade do grupo, já que a previdência oferece aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte.
O levantamento aponta que os motociclistas de apps recebem, em média, R$ 2.221 por mês, valor já líquido de descontos, como combustíveis. A jornada média semanal é de 44,9 horas para quem atua por plataformas, versus 41,1 horas entre não plataformizados. O rendimento por hora dos plataformizados ficou em R$ 11,4, 12,9% superior ao rendimento de R$ 10,1 por hora entre os demais trabalhadores.
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A PNAD traz também dados de motoristas de aplicativos. Em 2025 eram 905 mil pessoas, contingente que cresceu 9,8% na comparação com o ano anterior. Em 2022 (primeiro ano da primeira coleta da série) o número foi de 211 mil, demonstrando o expressivo crescimento desse tipo de trabalho ao longo do período.
A pesquisa é classificada pelo IBGE como experimental, ou seja, em fase de teste e sob avaliação. Em 2023 não houve coleta de informações, o que reforça a natureza ainda incompleta da série sobre atividades realizadas por meio de plataformas digitais.
Contexto e relevância: os dados evidenciam um setor em rápido crescimento e com distintas condições de renda e proteção social. O estudo reforça a necessidade de políticas que ampliem a cobertura previdenciária e a regulamentação das atividades ligadas a plataformas digitais, especialmente para trabalhadores que atuam como motoristas de apps.
Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Resumo jornalístico
IBGE aponta aumento de 26% no contingente de motoristas de aplicativo; em 2025, jornada e rendimento diferem de trabalhadores não plataformizados; Amobitec contesta a metodologia e propõe cooperação.
Brasil — O IBGE divulgou dados sobre o trabalho intermediado por plataformas digitais, apontando um crescimento de 26% no contingente de motoristas de aplicativo e destacando diferenças de renda, jornada e cobertura previdenciária em relação aos trabalhadores não plataformizados.
Conforme a pesquisa, em 2025 os motoristas de plataformas tinham uma jornada de 45,9 horas semanais e rendimento médio de R$ 14,4 por hora, enquanto os não plataformizados trabalhavam 40,4 horas semanais com remuneração de R$ 16 por hora.
A remuneração mensal dos motoristas de aplicativo ficou em torno de R$ 2.873, apenas 2,4% acima da observada entre os não plataformizados.
Plataformas contestam o IBGE — após a divulgação, a Amobitec, associação que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços, reconheceu a importância de pesquisas sobre o trabalho intermediado, mas classificou o estudo do IBGE como experimental e com limitações metodológicas.
“Os resultados indicam que a pesquisa apresenta deficiências metodológicas para retratar fielmente esse universo”, afirmou a nota da Amobitec. A entidade ressalta ainda que, segundo a pesquisa, trabalhadores plataformizados com atividade principal seriam menos de 10%, mas o estudo aponta que 17% identificam os apps como ocupação principal e citam complementar a renda como motivo, o que sugere inconsistências, na visão da associação.
A Amobitec afirma que utiliza pesquisas do Datafolha e do Cebrap, realizadas em períodos diferentes, para mostrar dados divergentes dos do IBGE. A entidade afirma que a metodologia do IBGE parece insuficiente para retratar com precisão os rendimentos desses profissionais e se coloca à disposição para colaborar com o IBGE no aprimoramento da pesquisa, defendendo uma regulamentação equilibrada que preserve a flexibilidade do trabalho por apps e reconheça a diversidade de modelos de negócios.
Sócias da Amobitec incluem 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, FlixBus, Lalamove, Shein, Uber e Zé Delivery.
Matéria ampliada às 18h18 para inclusão do posicionamento da associação de aplicativos.
