Resumo: Operação Escola de Papel, deflagrada no RJ, investiga direcionamento de contratos e superfaturamento em obras de escolas públicas, envolvendo ex-gestores. Ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão e bloqueios de ativos de até R$ 19,79 milhões por investigado, em meio a indícios de cooptação entre empresas e falhas de fiscalização.
Rio de Janeiro — A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quinta-feira (1º/10), a Operação Escola de Papel, que investiga contratos de obras em escolas públicas do estado, avaliados em R$ 1,69 bilhão. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 19,79 milhões por investigado.

Entre os alvos estão a ex-secretária de Estado de Educação Roberta Barreto de Oliveira; seu genro, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André; o ex-subsecretário de Gestão Administrativa David de Andrade Marinho Filho; e o empresário Fabio Martins Pereira.
Batizada de Operação Escola de Papel, a ação apura um esquema de direcionamento de contratações, superfaturamento e desvio de recursos destinados a obras em escolas públicas durante a gestão de Roberta.
Nesta quinta-feira (1º), foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Niterói. Também foi solicitada a indisponibilidade de bens até o teto de R$ 19,79 milhões por investigado.
O esquema começou a ser desmembrado a partir da análise de contratos e do cruzamento de dados financeiros e patrimoniais. Os trabalhos indicam que um procedimento criado para agilizar pequenos reparos e intervenções emergenciais pode ter sido utilizado para viabilizar obras de grande porte sem licitação.
As apurações apontam vínculos entre empresas que se apresentavam como concorrentes, propostas previamente ajustadas e falhas na fiscalização da execução dos serviços.
Segundo a PCERJ, uma das empresas investigadas recebeu R$ 11,79 milhões em recursos públicos relacionados aos contratos analisados, sendo R$ 9,78 milhões sacados em espécie.
A investigação financeira levou a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) a apreender, em janeiro deste ano, R$ 500 mil que haviam acabado de ser sacados pelo administrador da empresa em uma agência bancária de Duque de Caxias. A abordagem ocorreu após informações de inteligência financeira do Coaf.
Segundo elementos reunidos pela PCERJ, um empresário teria organizado propostas, controlado a conta utilizada para receber os pagamentos e participado da retirada de valores em espécie. A apuração, neste estágio, aponta para um complexo arranjo envolvendo contratos de obras escolares e a suposta manipulação de etapas de concorrência.
Novos desdobramentos devem ser divulgados pela PCERJ e pelo MPRJ à medida que as apurações avancem.
Resumo – A Polícia Civil investiga desvios de recursos públicos em obras contratadas por meio de procedimentos simplificados, com indícios de transferência de valores entre empresas e beneficiários ligados a servidores. Aproximadamente R$ 6 milhões teriam sido destinados a 15 obras, mas apenas R$ 2 milhões chegaram à execução; intermediários teriam ficado com R$ 4 milhões. Em 2025, uma empresa recebeu quase R$ 19,8 milhões, com R$ 8,93 milhões sacados em espécie. Patrimônio apontado inclui imóveis em Cabo Frio e Camboinhas (Niterói), além de ativos avaliados em mais de R$ 47 milhões e 60 veículos. A apuração continua para identificar destinos, novos beneficiários e responsabilidades.
Polícia Civil investiga desvios de recursos públicos em um esquema envolvendo contratações de obras por meio de procedimentos simplificados, com indícios de transferência de valores entre empresas e beneficiários ligados a servidores. O material analisado aponta que parte dos recursos percorreu a cadeia entre empresas e intermediários, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
De acordo com o depoimento de um administrador envolvido, aproximadamente R$ 6 milhões teriam sido recebidos para cerca de 15 obras. Desses, apenas R$ 2 milhões teriam sido destinados à execução dos serviços, enquanto os R$ 4 milhões restantes teriam ficado com o intermediário que organizava as contratações e controlava a movimentação da conta.
Avaliações financeiras apontam que uma empresa recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos apenas em 2025, além de R$ 8,93 milhões sacados em espécie ao longo do período investigado.
Levantamento patrimonial indica patrimônio estimado em R$ 32,22 milhões e empresas ligadas a 60 veículos avaliados em R$ 15,63 milhões. Entre os bens, há uma casa em Cabo Frio e um imóvel de R$ 2 milhões em Camboinhas, Niterói.
A Polícia Civil também apura se o mecanismo foi utilizado em outras contratações. Dados encaminhados sugerem um universo de R$ 1,69 bilhão em obras contratadas por meio de procedimentos simplificados sob auditoria — valor que representa o conjunto de contratos sob análise, e não o montante de desvios.
A investigação continua para identificar o destino dos recursos, possíveis novos beneficiários e responsabilidades de cada envolvido. O material aponta para indícios de transferências para pessoas ligadas a servidores, além de movimentações entre empresas associadas ao esquema.

