Resumo
França: Macron anuncia proibição de protestos considerados ilegítimos; governo planeja desviar trajetos de manifestações para proteger comércio; toque de recolher é ressuscitado e centenas de pessoas foram detidas. Polícia reforçada prevista para o próximo fim de semana. Palavras-chave: França, protestos, Macron, toque de recolher, ultraesquerda, AFP.
França — nesta quinta-feira (22), o presidente Emmanuel Macron anunciou a proibição, nos próximos dias, de ações de protesto avaliadas como “ilegítimas”; a decisão foi tomada após reunião com representantes dos serviços de informações e ministros, em Paris.
O governo sinalizou que protestos organizados por sindicatos terão trajetos alternativos para evitar confrontos com estabelecimentos comerciais, buscando proteger lojas e demais empresas durante as manifestações.
De acordo com informações da AFP, agência francesa de notícias, após a reunião no Palácio do Eliseu, Macron classificou grupos suspeitos de violência como parte de uma atuação de ultraesquerda e afirmou que pretendem derrubar a República. “Tivemos atos políticos e até sediciosos conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda”, disse o presidente.
À menos de 48 horas de uma nova mobilização, o governo tenta conter a pressão gerada pelos distúrbios urbanos. A mensagem circula entre as autoridades de que há busca por uma atuação firme, com planejamento para evitar novos confrontos.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou os partidos para escolherem “entre a violência e a República”, isolando, nas críticas, o movimento La France insoumise (extrema-esquerda). Lecornu prometeu transparência sobre as dificuldades encontradas na resposta aos acontecimentos de sábado.
No balanço de denúncias de roubos, furtos e danos, comerciantes relatam apreensão com a possibilidade de novos distúrbios no próximo sábado, após incidentes que atingiram milhares de lojas na região.
As autoridades anunciam um dispositivo policial em larga escala para o próximo sábado, com uso de veículos blindados e unidades de elite, para conter eventuais distúrbios e manter a ordem em áreas de maior concentração de manifestações.
Macron reforçou a mensagem de firmeza ao declarar que “a mão não deve tremer no topo do Estado”, sinalizando a continuidade de ações para conter distúrbios e consolidar a resposta governamental.
O recolher obrigatório voltou a ser imposto na noite desta quarta-feira (21) em várias cidades, com pelo menos 174 pessoas detidas até o momento, conforme relatos oficiais e agências de notícias.
