Resumo: São José dos Quatro Marcos (MT) registra caso de tortura após boatos sobre facção criminosa; três mulheres (18, 23 e 24) são presas e um homem (27) morre após confronto com a PM; vítima de 32 anos sofreu 20 golpes de ripa; investigações buscam liderança e demais envolvidos.
Palavras?chave: São José dos Quatro Marcos; tortura; facção criminosa; boatos; PMMT; investigação.

São José dos Quatro Marcos (MT) – uma mulher de 32 anos foi submetida a 20 golpes de ripa de madeira nas mãos, após ser vítima do chamado “salve”, prática de punição de facções para quem supostamente espalha boatos sobre o grupo, segundo apuração da Polícia Civil. O ataque ocorreu no município, no bairro Jardim Popular, após a vítima supostamente divulgar informações desfavoráveis à organização.
Três mulheres, com idades de 18, 23 e 24 anos, foram presas pela prática de tortura. Um homem de 27 anos, apontado como “disciplina” da facção, morreu após confronto com a Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT).
As investigações tiveram início na madrugada de quinta-feira (22/10), quando a vítima deu entrada no Hospital Municipal com lesões principalmente nas mãos. Ela relatou ter temido pela própria vida durante o ocorrido.
Ao chegar à delegacia, a vítima descreveu que teria sido chamada para explicar boatos em uma casa de uma das suspeitas. No local, houve uma videochamada com a liderança da facção, que determinou que ela confessasse que as acusações eram falsas. Uma das suspeitas aplicou os golpes; outra filmou a sessão para que o líder acompanhasse; as demais vigiaram a vítima para impedir que fugisse. O exame de corpo de delito confirmou as lesões.
Na tarde de quinta (22), as equipes prenderam as três suspeitas: uma no local de trabalho, outra em casa e a terceira no imóvel onde as agressões ocorreram. Os celulares foram apreendidos. Nos interrogatórios, as três confirmaram como os fatos ocorreram.
Confronto
Enquanto as prisões ocorriam, a Polícia Militar se deslocou à residência do homem apontado como disciplina da facção. Segundo os agentes, ele desobedeceu ordens, entrou no imóvel e checou uma arma de fogo contra os policiais, que revidaram. Ele foi socorrido ao Hospital Municipal, mas não resistiu. Um revólver foi apreendido; a morte será apurada em procedimento próprio, com necropsia já requisitada.
As três mulheres foram autuadas por tortura, crime equiparado a hediondo, com pena prevista de dois a oito anos de reclusão. Em audiência de custódia, o Poder Judiciário homologou o flagrante, convertendo as prisões em preventiva e autorizando o acesso aos dados dos aparelhos apreendidos.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar a liderança que ordenou a punição e para apurar a participação de cada envolvido na organização criminosa.
